O narcotraficante conhecido como Pavão está sendo julgado a partir desta terça-feira, por homicídio qualificado, tráfico de drogas e associação para tráfico, na Justiça Federal no Rio Grande do Sul. O juiz Rafael Farinatti Aymone, da 5ª Vara Federal de Caxias do Sul, preside a sessão, que deve durar três dias.

O Ministério Público Federal (MPF), em setembro de 2011, denunciou Pavão por ter liderado uma associação criminosa com atuação no Paraguai, no Mato Grosso do Sul, e em outras regiões brasileiras. No período de 2009 a 2010, o grupo teria introduzido grandes quantidades de entorpecentes, principalmente de cocaína, através de vias aérea e terrestre.

Ele havia sido capturado em dezembro de 2009 no Paraguai e extraditado para o Brasil em dezembro de 2017. O criminoso estava em um hotel-fazenda em Yvy Yaú, no departamento de Concepción, com fuzis, pistolas, munição e 10 mil dólares. Ele estava junto do paraguaio, vulgo Capilo, apontado na época como líder da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC), em Pedro Juan Caballero.

Natural de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, o traficante começou a atuar nos anos 90 em Santa Catarina, residindo em Balneário Camboriú. No Paraguai, o criminoso transformou-se em um dos mais poderosos barões das drogas. Ele sempre desafiou as autoridades dos dois países e mudou de lugar mais de 60 vezes. Considerado cúmplice até de Fernandinho Beira-Mar, a organização dele seria responsável por 80% das drogas e de boa parte das armas contrabandeadas ao Brasil.

No Rio Grande do Sul, ele foi apontado como suspeito de fornecer drogas à facção criminosa Os Manos, da região do Vale do Rio dos Sinos, além de viabilizar a entrada de armamento. Em 2006, a Polícia Federal descobriu sua ligação com um dos maiores fornecedores de armamento pesado para quadrilhas de roubos a carros-fortes e bancos no Estado. No final de agosto de 2017, a Polícia Federal de Caxias do Sul desarticulou uma quadrilha que distribuía drogas no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, comprando cocaína da organização criminosa de Pavão.

Segundo o MPF, o narcotraficante comandaria “braços” da organização de narcotráfico no Paraguai; em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul; em Criciúma, em Santa Catarina; em São Leopoldo, Caxias do Sul e Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

Em agosto de 2020, a Polícia Federal deflagrou a operação Pavo Real com o objetivo de desmantelar financeiramente uma organização criminosa dedicada à lavagem e ocultação de bens, direitos e valores obtidos através do tráfico internacional de drogas, sob comando de Pavão.

Informações Jornal Correio do Povo.