Justiça do Paraná declara inocentes os réus do Caso Evandro
Desembargadores da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) anularam, nesta quinta-feira (9), as condenações de Beatriz Abagge, Davi dos Santos Soares, Osvaldo Marcineiro e Vicente de Paula Ferreira (falecido em 2011), réus do “Caso Evandro”, as informações são do Portal R7.
A decisão foi tomada por maioria, com três votos a favor da absolvição e dois contra. A revisão criminal, baseada em novas evidências, revelou que as confissões dos réus foram falsas, motivadas por tortura.
A morte de Evandro Ramos Caetano, garotinho de 6 anos, chocou o Brasil em 1992. Ele foi encontrado morto em Guaratuba, no Paraná, com sinais de tortura. Na época, Beatriz Abagge, sua mãe, e outros quatro homens foram condenados pelo crime.
A absolvição dos réus é uma vitória para a justiça e para a família de Evandro. “Depois de 31 anos, 131 dias, vencemos a luta da nossa vida: provarmos a nossa inocência. Enfim, ela foi declarada pelo judiciário”, disse Beatriz Abagge, logo após a decisão.
A família de Evandro também comemorou a decisão. “É um alívio saber que os verdadeiros culpados por esse crime ainda serão punidos”, disse a mãe do menino, Maria do Carmo Ramos.
A decisão é irrecorrível, permitindo aos inocentados buscar indenização civil.
Os áudios da tortura
A principal evidência que levou à absolvição dos réus foram os áudios da tortura que eles sofreram durante o interrogatório. Nas gravações, é possível ouvir os policiais ameaçando, insultando e agredindo os suspeitos.
Os áudios foram revelados pela Comissão Especial do Caso Evandro, criada pelo governo do Paraná em 2022. A comissão concluiu que as confissões dos réus foram falsas e que eles foram torturados para confessar o crime.
Ainda há um mistério
Apesar da absolvição dos réus, o mistério sobre a morte de Evandro ainda não foi solucionado. A polícia ainda não identificou os verdadeiros autores do crime.
A investigação do caso segue em andamento.
