O dólar voltou a ultrapassar a marca de R$ 6 nesta sexta-feira (6), encerrando a sessão com alta de 1,13%, cotado a R$ 6,076 na venda, o maior fechamento da história. Esse movimento ocorreu em um cenário de cautela global, influenciado por dados positivos de emprego nos Estados Unidos que superaram as expectativas, reforçando possíveis ajustes na política monetária do Federal Reserve (Fed). O índice Ibovespa, por outro lado, recuou 1,50%, fechando a 125.945 pontos.

No Brasil, o ambiente doméstico também contribuiu para a volatilidade. Investidores demonstraram preocupação com as contas públicas após o anúncio de medidas fiscais, incluindo um novo pacote de contenção de gastos e um projeto de reforma do Imposto de Renda. A proposta de isenção para rendas de até R$ 5 mil mensais gerou apreensão no mercado, que receia impactos na arrecadação federal. Apesar disso, a aprovação de um regime de urgência para dois projetos do pacote fiscal trouxe algum otimismo na véspera.

Nos Estados Unidos, o relatório de empregos de novembro trouxe números acima do esperado, com a criação de 227 mil vagas, superando as 200 mil previstas. A taxa de desemprego, no entanto, subiu levemente para 4,2%. Revisões de dados dos meses anteriores também apontaram crescimento no mercado de trabalho, reforçando a resiliência da economia americana mesmo diante de eventos recentes como greves e desastres naturais.

Apesar da alta semanal de 1,26% no dólar, que já acumula valorização de mais de 25% em 2024, o Ibovespa teve desempenho misto. O índice encerrou a semana com leve alta de 0,22%, embora a prévia anual registre queda de 6,14%. Esses dados destacam a complexa interação entre fatores externos e internos, mantendo o mercado em estado de alerta.