Operação Tríade desmantela organização criminosa no RS e expõe esquema milionário
A Polícia Civil prende 20 pessoas, apreende armas e drogas, e desarticula núcleos hierarquizados de um grupo criminoso que movimentava R$ 25 milhões por mês
A Polícia Civil, por meio da 3ª Delegacia de Investigações do Narcotráfico (3ªDIN/Denarc), deflagrou na manhã desta quinta-feira (05/12) a Operação Tríade. A ação incluiu o cumprimento de ordens judiciais de busca, prisão, sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias, desarticulando uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas no Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul.
Foram presas preventivamente 20 pessoas, além da apreensão de armas, drogas, munições e dinheiro em espécie. Segundo o Delegado Joel Wagner, cerca de 200 policiais civis cumpriram 94 medidas cautelares em nove cidades: Novo Hamburgo, Esteio, Sapucaia do Sul, Viamão, Parobé, Canoas, Porto Alegre, São Sebastião do Caí e Sapiranga.
A investigação começou em 2023, quando um “bunker” da organização criminosa foi localizado em Novo Hamburgo, resultando na apreensão de armas, munições, drogas e cerca de R$ 46 mil em espécie. Entre os itens apreendidos estavam pistolas, coletes balísticos, munições de diversos calibres, crack, cocaína, rádio comunicador, granada tipo morteiro e cadernos com registros do tráfico.
O Delegado Joel Wagner destacou uma apreensão significativa ocorrida em junho de 2024, com a captura de três quilos de cocaína, uma pistola calibre .9mm, balanças de precisão e R$ 26.534,00 em espécie.
A investigação revelou uma estrutura hierarquizada, composta por:
- Fornecedores de drogas: Líderes do alto escalão com conexões interestaduais e internacionais.
- Consórcio de traficantes: Organização que gerenciava a distribuição de drogas e recursos financeiros.
- Revendedores locais: Responsáveis pela venda direta aos usuários.
- Núcleo de suporte: Encarregado de falsificação de documentos, lavagem de dinheiro e uso de “laranjas”.
A organização movimentava cerca de R$ 25 milhões por mês, distribuindo aproximadamente 1.000 kg de drogas, principalmente cocaína e crack. O esquema incluía lavagem de dinheiro, empresas de fachada e negociações ilegais de armas de fogo, com suspeitas envolvendo um clube de tiro.
Entre os investigados, destaca-se um dos líderes que, mesmo condenado a 176 anos de prisão, rompeu sua tornozeleira eletrônica e fugiu. Ele já havia organizado, em 2017, um plano frustrado de fuga em massa no antigo Presídio Central.
O Diretor de Investigações do Denarc, Delegado Alencar Carraro, afirmou que a operação reforça o compromisso de desmantelar organizações criminosas e apreender seus bens. Já o Delegado-Geral Carlos Wendt destacou a importância de responsabilizar as lideranças desses grupos e de enfraquecê-los financeiramente.
Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque-Denúncia do Denarc: 08000 518 518.
