Um quarto das adolescentes brasileiras já sofreu violência sexual, aponta pesquisa nacional do IBGE
Levantamento revela aumento dos casos entre estudantes de 13 a 17 anos e acende alerta sobre gravidez precoce, relações forçadas e baixa adesão ao uso de preservativos
quarta-feira, 25 de março — Um em cada quatro estudantes adolescentes do Brasil já sofreu algum tipo de violência sexual, incluindo toques, beijos ou exposição de partes íntimas sem consentimento. O dado faz parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que entrevistou 118.099 alunos de 13 a 17 anos em 4.167 escolas públicas e privadas.
O levantamento mostra que o percentual de meninas que relataram violência sexual aumentou 5,9 pontos percentuais em relação a 2019, evidenciando um cenário preocupante para a saúde e a segurança de adolescentes no país.
Outro dado alarmante indica que 11,7% das estudantes afirmaram ter sido forçadas ou intimidadas a manter relações sexuais, crescimento de 2,9 pontos percentuais em comparação com a pesquisa anterior. Ao todo, estima-se que mais de 2,2 milhões de adolescentes tenham sofrido assédio sexual e cerca de 1,1 milhão tenham sido vítimas de relações forçadas.
A maioria das vítimas de relações sexuais forçadas tinha 13 anos ou menos, demonstrando que a violência ocorre, frequentemente, em idades muito precoces. Já os casos de assédio sexual foram mais relatados entre adolescentes de 16 e 17 anos.
A pesquisa também identificou que a violência sexual é mais frequente entre estudantes da rede pública, onde 9,3% relataram ter sido forçados a manter relações sexuais, contra 5,7% na rede privada.
Em relação aos agressores, os dados revelam que a maior parte das violências é cometida por pessoas próximas às vítimas. Entre os casos de relação sexual forçada, os principais responsáveis foram:
- 26,6% outros familiares
- 22,6% namorados ou ex-namorados
- 16,2% amigos
- 8,9% pais, padrastos, mães ou madrastas
Nos casos de assédio, como toques ou beijos sem consentimento, a categoria mais citada foi a de “outro conhecido”, seguida por familiares e desconhecidos, o que indica a repetição de situações de violência e múltiplos agressores.
Além da violência sexual, o estudo apontou preocupação com a gravidez precoce entre adolescentes. Cerca de 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram, o equivalente a 7,3% das que iniciaram a vida sexual. Desse total, 98,7% estudavam em escolas públicas.
Cinco estados registraram índices superiores a 10% de gravidez precoce: Paraíba, Ceará, Pará, Maranhão e Amazonas, sendo este último o mais crítico, com 14,2% das adolescentes nessa condição.
Outro fator de risco destacado pela pesquisa é o comportamento sexual desprotegido. Apenas 61,7% dos adolescentes usaram preservativo na primeira relação sexual, número que cai para 57,2% na relação mais recente, indicando redução na prevenção contra infecções sexualmente transmissíveis e gestações não planejadas.
Apesar dos desafios, os dados mostram uma mudança no comportamento dos jovens: o início da vida sexual está ocorrendo mais tarde, com 30,4% dos estudantes afirmando já ter tido relação sexual, percentual inferior ao registrado em 2019.
Especialistas alertam que a combinação entre violência sexual, gravidez precoce e baixa proteção nas relações sexuais representa um risco significativo para a saúde física e mental dos adolescentes, reforçando a necessidade de políticas públicas de prevenção, educação sexual e proteção nas escolas e comunidades, segundo dados do IBGE
