MPRS aponta indícios de abuso de autoridade e tortura psicológica em caso de agricultor morto durante ação policial em Pelotas
Investigação sobre morte ocorrida na zona rural teve pedido de novas diligências após identificação de possíveis irregularidades cometidas por oficiais da Brigada Militar
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da 2ª Promotoria de Justiça Militar, identificou indícios de abuso de autoridade por parte de oficiais da Brigada Militar (BM) e apontou elementos que podem configurar tortura psicológica contra a esposa de um agricultor morto durante ação policial em Pelotas. Diante disso, o órgão requereu o aprofundamento das investigações antes de eventual oferecimento de denúncia.
O caso ocorreu em terça-feira, 14 de abril, durante uma operação realizada por oito policiais militares na zona rural do município. A ocorrência tramita sob segredo de Justiça.
Com atuação junto à 2ª Auditoria da Justiça Militar, a promotora de Justiça Anelise Haertel Grehs solicitou novas diligências no inquérito policial militar (IPM) instaurado para apurar a morte do agricultor Marcos Nornberg, de 48 anos, ocorrida durante intervenção policial. Os agentes buscavam suspeitos de integrar uma quadrilha.
Segundo a promotora, há “fortes indícios de abuso de autoridade” por parte dos oficiais responsáveis pela coordenação da ação. Ela também destacou a existência de elementos que sugerem a prática de tortura psicológica contra a viúva da vítima, considerada vítima sobrevivente no contexto da ocorrência.
Os fundamentos detalhados do pedido não foram divulgados em razão do segredo de Justiça, estabelecido a pedido do Comando-Geral da Brigada Militar. A decisão sobre a realização das novas diligências caberá à Justiça Militar do Estado.
Duas investigações paralelas
O caso envolve duas frentes de apuração. A Polícia Civil conduz o inquérito relacionado ao possível homicídio, que segue em andamento. Após a conclusão, o procedimento será encaminhado à Promotoria de Justiça de Pelotas, sob responsabilidade do promotor Frederico Lang.
De acordo com o promotor, “no cumprimento de seu papel constitucional, o MPRS acompanha, com atenção e desde o início, a investigação sobre o fato ocorrido”.
Paralelamente, o inquérito policial militar instaurado pela Brigada Militar concluiu, inicialmente, pela inexistência de crimes militares.
Fonte: Ministério Público do Rio Grande do Sul
