Nesta última quinta-feira, 21 de maio, a Brigada Militar de Veranópolis foi procurada por um jovem de 21 anos, que relatou uma situação de sequestro, cárcere privado e coerção para o tráfico de drogas. O caso é investigado pela Polícia Civil.

O relato da abordagem na saída do presídio

Conforme as informações repassadas às autoridades, o jovem havia sido preso anteriormente por tráfico em Nova Prata. Após receber alvará de soltura na noite de terça-feira, ele aguardava a mãe na saída do presídio quando teria sido interceptado por três indivíduos armados em um veículo.

Sob ameaça, ele teria sido obrigado a entrar no carro e levado até Veranópolis.

Coerção para atuar no tráfico

De acordo com o relato da vítima, ele foi obrigado a assumir um ponto de venda de drogas no bairro Santo Antônio, como forma de ressarcir uma facção criminosa por prejuízos relacionados à prisão anterior, como perda de drogas, dinheiro e celulares.

O delegado Tiago Madalosso Baldin, responsável pela Polícia Civil de Veranópolis, explicou que esse tipo de cobrança é uma prática associada à dinâmica de facções, nas quais pessoas envolvidas com o tráfico passam a ser pressionadas a “pagar” prejuízos causados por apreensões.

Segundo o jovem, ele teria sido forçado a vender cocaína e maconha por cerca de 24 horas. Nos períodos em que não estava no ponto de tráfico, teria sido mantido em cárcere privado em uma residência no bairro Porto Sol.

A vítima afirmou ainda que cumpriu as ordens por medo de ser morta caso se recusasse.

Fuga e ação policial

Por volta das 6h da manhã de quinta-feira, o jovem conseguiu fugir e procurou auxílio das forças de segurança.

Com base nas informações repassadas por ele, equipes da Polícia Civil e da Brigada Militar foram até os locais indicados. Durante as diligências, foram encontradas drogas fracionadas, balanças de precisão e celulares.

No imóvel apontado como local do cárcere, os policiais localizaram suspeitos do envolvimento no caso, sendo três adultos e dois adolescentes.

Investigação segue em andamento

Apesar da gravidade do relato, os adultos conduzidos foram liberados após averiguação e, até o momento, respondem em liberdade.

O delegado Tiago Madalosso Baldin explicou que, para uma prisão em flagrante, a lei exige elementos técnicos robustos. Como a vítima já não estava mais no local quando a polícia chegou, a investigação deverá analisar imagens, dados telefônicos e outros elementos para confirmar todos os pontos do depoimento.

Ainda assim, o relato foi considerado coeso e verossímil pelas autoridades.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Veranópolis, que busca esclarecer a dinâmica dos fatos e identificar a estrutura criminosa envolvida na ação.

Delegado fala sobre o caso a Studio TV, assista na íntegra: