O governo do Rio Grande do Sul confirmou, nesta quarta-feira, 3 de junho, o cancelamento do leilão do Bloco 2 de rodovias, após o fim do prazo para apresentação de propostas sem que nenhuma empresa demonstrasse interesse. O certame, que estava previsto para ocorrer em 10 de junho, em São Paulo, ficou inviabilizado e deixou em aberto o futuro de um dos principais projetos de infraestrutura planejados pelo Estado.

A concessão previa repassar à iniciativa privada a administração de mais de 400 quilômetros de rodovias estaduais no Vale do Taquari, Serra e Região Norte. O contrato estimava cerca de R$ 6 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos, além de R$ 1,5 bilhão em aporte público por meio do Fundo do Plano Rio Grande. Entre as intervenções previstas estavam terceiras faixas, acostamentos, passarelas, ampliações de capacidade e melhorias de segurança.

O fracasso do leilão ocorre após semanas de resistência de lideranças regionais, prefeitos, vereadores, entidades empresariais, produtores rurais e movimentos contrários ao modelo proposto, especialmente em relação à cobrança de pedágios, à estrutura econômica da concessão e ao uso de recursos públicos. O tema chegou à Assembleia Legislativa e motivou a criação de uma CPI. Agora, o Estado ainda não informou se irá reformular o edital, lançar novo cronograma ou buscar outra alternativa para viabilizar as obras cobradas por usuários e setores produtivos.