Ministério da Saúde suspende temporariamente vacina contra dengue do Butantan após 42 casos de reações adversas graves

Descontinuidade da vacinação com a dose do Instituto Butantan serve de precaução para aprofundar investigação dos fatores de risco, sem invalidação da eficácia global da imunização

Brasília – O Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira, a suspensão temporária da imunização contra a dengue no país com a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, após a identificação de 42 episódios de reações adversas graves no sistema de vigilância. Entre os casos, três precisaram de internação e dois evoluíram para óbito.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que não é possível concluir que os eventos adversos foram causados pela vacina, mas apontou sinal de alerta e informou que a investigação ficará a cargo de um comitê de especialistas.

“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que o Ministério da Saúde, a Anvisa e o Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reações adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, disse Padilha na coletiva de imprensa.

O ministro ressaltou que a decisão de suspender a estratégia vale apenas para a vacina do Butantan; o imunizante Qdenga, produzido pela Takeda, continua sendo aplicado no SUS.

Até sábado, 30 de maio, pouco mais de 500 mil doses da vacina do Butantan foram aplicadas no país. A vacinação faz parte de um estudo piloto em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), com público-alvo de adolescentes e adultos de 15 a 59 anos, e também envolveu ações em Araguaína (TO). Em fevereiro, o SUS passou a vacinar profissionais de saúde da atenção primária, para 1,2 milhão de trabalhadores.

Apesar da suspensão, o Ministério da Saúde afirma que a estratégia não invalida a eficácia da vacina, que segundo dados do fabricante teve eficácia global de 79,6% e 89% contra dengue grave em estudo divulgado. O Butantan informou que a vacinação continuará discutida com a intenção de retomar o esquema, assim que a segurança for assegurada.

A vigilância segue como parte do Programa Nacional de Imunizações, e serão investigados histórico clínico, doenças preexistentes, fatores de risco individuais, causas alternativas, além de possíveis falhas de qualidade ou erros de imunização.

Fonte: Agência Brasil

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