Sob pressão, Jaques Wagner entrega cargo de líder do governo e afirma ter agido em comum acordo

Jaques Wagner renuncia ao cargo de líder do governo no Senado após reunião com Lula; PF investiga suposta relação com o Banco Master

Jaques Wagner (PT-BA) entregou nesta quarta-feira, 24 de junho, o cargo de líder do governo no Senado, em meio a uma crise alimentada por investigações da Polícia Federal e pressões internas ao PT. A decisão foi anunciada após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada, em Brasília. Segundo fontes próximas ao encontro, Wagner afirmou que nunca atuou para defender interesses do Banco Master, disse sentir-se injustiçado pelas acusações e disse que sua saída busca evitar desgastes à campanha de reeleição de Lula em 2026.

Operação Compliance Zero é o marco da investigação que envolve o senador. A PF apura suposta relação entre Wagner e empresários ligados ao Banco Master. Entre os indícios, estaria a aquisição de um apartamento em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, realizado pelo empresário Augusto Lima, ex-sócio do banqueiro Daniel Vorcaro.

Relatórios da PF também apontam movimentações financeiras consideradas suspeitas envolvendo pessoas próximas ao senador. Segundo os investigadores, Lima teria feito repasses que somam R$ 3,5 milhões para uma empresa ligada ao enteado e à nora de Wagner, que integram o conjunto de elementos analisados para verificar eventuais vantagens indevidas.

Outro ponto destacado é a identificação de mensagens nas quais Lima solicitou à secretária a compra de ingressos para Wagner e familiares assistirem ao show da cantora Taylor Swift, em Los Angeles, nos Estados Unidos, em operação avaliada em R$ 63,3 mil. Os ingressos teriam sido adquiridos por meio da Reag Investimentos, empresa com negócios com o Banco Master.

Durante o cumprimento de mandados, agentes federais encontraram no apartamento do senador US$ 55 mil, 33 mil euros em espécie e 13 relógios. As imagens do material apreendido geraram preocupação entre aliados do governo e dirigentes petistas.

Wagner sustenta que os recursos têm origem legal e foram declarados, explicando que o dinheiro resulta de diárias recebidas do Senado para viagens oficiais e que costumava usar cartão de crédito para custear despesas, mantendo parte do dinheiro em espécie.

Apesar da defesa, assessores do governo avaliam que a repercussão pode representar um risco político significativo, especialmente num cenário de desgaste do PT.

Sobre o apartamento em Salvador, o senador afirma ter pedido a Augusto Lima que adquirisse o imóvel temporariamente, com a condição de revendê-lo para que a filha pudesse morar lá, porque a obra ainda estava em construção e havia dificuldades para concluir a negociação naquele momento.

Fonte: Jornal O Sul

Sair da versão mobile