Depois de um primeiro ano voltado ao conhecimento sobre o funcionamento da administração pública e ao mapeamento da estrutura da saúde, a Secretaria Municipal da Saúde de Veranópolis entrou em uma nova etapa. Em entrevista à Studio, a titular da pasta, Évelin Kasmirscki Ranghetti, afirma que o momento agora é de colocar projetos em prática e consolidar a identidade da gestão.

À frente da secretaria há cerca de um ano e meio, Évelin avalia que os primeiros meses foram marcados pela necessidade de compreender processos administrativos, licitações, pregões, orçamentos e as regras que orientam o serviço público.

— O primeiro ano foi um ano de muito aprendizado, de mapear como tudo estava e fazer várias modificações emergenciais. Agora, neste segundo ano, é o momento de colocar muita coisa em prática, de dar a nossa cara — afirma.

Um dos principais objetivos da gestão, segundo a secretária, é organizar os serviços por meio de protocolos, rotinas e formas de acesso mais claras, tanto para os servidores quanto para a população. O objetivo é evitar que os atendimentos dependam apenas de decisões pontuais e garantir continuidade aos processos.

— Nós gostamos muito de processos. Estamos trabalhando para deixar tudo regulamentado em protocolos e formas de acesso, principalmente para que todos os funcionários consigam estar engajados. Uma equipe engajada reflete no serviço — destaca.

Prevenção e públicos prioritários

Entre as prioridades para os próximos meses está a ampliação das práticas integrativas em saúde, com ações que reforcem a prevenção e reduzam a necessidade de encaminhamentos para especialistas.

A secretaria também pretende concentrar esforços no atendimento a públicos considerados prioritários, entre eles pessoas autistas e pacientes com fibromialgia. No caso da fibromialgia, Évelin afirma que a equipe mantém contato com representantes do grupo formado no município.

Outro foco será a população do interior. A intenção é facilitar o acesso aos serviços e ampliar o envolvimento dos moradores em ações preventivas.

— A gente quer dar bastante atenção para o interior, buscar formas para que o acesso dessas pessoas seja mais fácil e para que elas se engajem. Queremos manter a prevenção como uma forma de atuação — explica.

Tecnologia e telemedicina

A incorporação de novas ferramentas tecnológicas também está nos planos da secretaria. Uma das possibilidades avaliadas é a implantação da telemedicina, principalmente para facilitar o atendimento de moradores que enfrentam dificuldades de deslocamento ou de acesso a determinadas especialidades.

— Queremos que a tecnologia esteja conosco. A telemedicina é uma possibilidade que pode facilitar o acesso para algumas pessoas — afirma Évelin.

O avanço tecnológico também aparece em outras medidas preparadas pela pasta, como o sistema que permitirá aos moradores acompanhar pela internet a posição em filas de consultas e exames e a criação de um WhatsApp institucional para contato com diferentes setores.

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Metas passam a influenciar repasses

A organização por processos também está relacionada às mudanças no financiamento federal da saúde. Conforme Évelin, parte dos recursos passa a depender do cumprimento de metas e indicadores. Por isso, a secretaria trabalha na criação de rotinas e protocolos que permitam acompanhar os resultados das equipes e garantir o registro adequado dos atendimentos realizados.

— A partir de agora, precisamos atingir metas para conseguir os recursos. Isso vem ao encontro da nossa visão de que é necessário ter protocolos, processos e rotinas bem estabelecidas dentro do sistema — aponta.

A estratégia inclui encontros com os profissionais e ações de capacitação para que as equipes compreendam os indicadores e a influência dos registros no financiamento do município. Para a secretária, embora ainda existam projetos a serem implantados, a gestão conseguiu superar a etapa inicial de diagnóstico e avança para uma fase de consolidação.

— Tem muita coisa para fazer ainda, mas entendemos que estamos no caminho. O resultado final precisa ser sempre o bem-estar das pessoas, para que tenham acesso adequado e consigam manter uma boa saúde — conclui.