Bancada do agro rejeita fim de projeto sobre renegociação de dívidas rurais
Fazenda apresentou alternativas, incluindo medida provisória, mas Frente Parlamentar da Agropecuária afirma que seguirá usando texto aprovado pelo Senado como base das negociações
A bancada do agro rejeitou, nesta terça-feira, 7 de julho, a possibilidade de encerrar a tramitação do projeto de renegociação de dívidas rurais aprovado pelo Senado. A posição foi apresentada pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), após reunião no Ministério da Fazenda com integrantes da equipe econômica.
O encontro discutiu alternativas ao Projeto de Lei 5.122/2023, que trata da renegociação de débitos de produtores rurais. Segundo Lupion, a Fazenda apresentou uma série de propostas ao texto, incluindo a possibilidade de edição de uma medida provisória.
Apesar disso, o parlamentar afirmou que não há acordo fechado para substituir o projeto aprovado no Senado. De acordo com ele, a FPA seguirá utilizando o texto como base das negociações com o governo.
“Nós não aceitamos o fim do projeto do Senado, nós não acordamos com o fim do projeto do Senado”, declarou Lupion.
A discussão envolve pontos como limite das operações, critérios de enquadramento dos produtores, juros da linha de renegociação, prazos, carência e custo da equalização.
O projeto entrou no radar da equipe econômica como uma das chamadas “pautas-bomba”, expressão usada para propostas que podem elevar despesas ou reduzir receitas sem compensação. O governo busca diminuir o impacto fiscal da medida.
A Fazenda estima que o texto aprovado pelo Senado possa custar até R$ 140 bilhões em 13 anos. A FPA contesta o cálculo e afirma que a despesa seria consideravelmente menor, podendo chegar a R$ 5 bilhões.
Lupion disse que a bancada seguirá apresentando seus próprios números e questionando as estimativas da equipe econômica. Segundo ele, a negociação busca uma solução intermediária que reduza as resistências do governo sem abandonar a proposta defendida pelo setor agropecuário.
“Nós vamos tentar chegar ao meio-termo disso, se for com medida provisória, se for com projeto de lei ou se a gente conseguir chegar a algum outro tipo de acordo”, afirmou.
O PL 5.122/2023 já foi aprovado pela Câmara e pelo Senado. Como o texto foi alterado pelos senadores, retornou para nova análise dos deputados. Para Lupion, essa etapa limita as possibilidades de mudança na Câmara, que poderá aprovar a versão do Senado ou retomar o texto aprovado originalmente pelos deputados.
Fonte: SBT News / Caio Barcellos
