Uma denúncia feita pela mãe de Sophia, menina em tratamento contra o câncer, deu origem à investigação que revelou um esquema de falsas campanhas solidárias na internet. Fotos e vídeos da criança eram divulgados sem autorização em anúncios patrocinados no Facebook e no Instagram, embora nenhum valor arrecadado fosse destinado à família. Apenas nessa campanha, a polícia identificou o desvio de R$ 294,5 mil.

Segundo a Polícia Civil do Rio Grande do Sul, os suspeitos recorriam a inteligência artificial, deepfakes e clonagem de voz para tornar os pedidos de ajuda mais convincentes. As publicações apareciam em páginas com nomes como “Clube de Doadores” e “Unidos pelo Amor” e direcionavam os usuários a sites que imitavam plataformas conhecidas de financiamento coletivo. Depois, os pagamentos via Pix eram enviados para contas de empresas de fachada controladas pelo grupo.

Batizada de Operação Sophia, a ofensiva cumpre 19 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Até a atualização da reportagem, 13 pessoas haviam sido presas. Uma das empresas investigadas, apontada como núcleo financeiro do esquema, movimentou mais de R$ 1,7 milhão. A polícia recomenda confirmar diretamente com familiares ou instituições a autenticidade das campanhas e verificar se o titular do Pix corresponde ao verdadeiro beneficiário.