Polícia investiga mãe por omissão após morte de menino de 3 anos em Viamão
Caso é apurado como homicídio qualificado e tortura; defesa afirma que mulher também vivia em contexto de violência doméstica
A Polícia Civil ampliou a investigação sobre a morte de um menino de 3 anos em Viamão após a prisão preventiva da mãe da criança. O pai já havia admitido as agressões, e o caso passou a ser apurado como homicídio doloso duplamente qualificado e tortura, embora o enquadramento definitivo dependa da conclusão do inquérito e dos laudos periciais.
Segundo a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, responsável pela investigação, os elementos reunidos indicam que a mãe dificilmente desconhecia a violência ocorrida dentro da residência. A polícia considera que ela tinha o dever legal de proteger o filho e pode ter se omitido diante das agressões. O imóvel, de estrutura simples e com divisões internas feitas por cortinas, também foi apontado como um fator relevante para essa avaliação.
Os investigadores apuram ainda se a violência contra as crianças da família já ocorria havia mais tempo. A Polícia Civil solicitou informações a hospitais, Conselhos Tutelares e órgãos de segurança de São Paulo e Santa Catarina, além de buscar dados junto ao consulado dos Estados Unidos. Há registros de que uma das crianças teria sido atendida anteriormente com ferimentos e de que os filhos chegaram a ser afastados temporariamente da guarda materna.
Durante o interrogatório, a mãe negou participação direta nas agressões, mas confirmou que o companheiro agredia os filhos. Ela também afirmou ser vítima de violência doméstica. A defesa sustenta que a mulher vivia em situação de grave vulnerabilidade física, emocional e espiritual, e pede que os fatos sejam analisados sem julgamento antecipado. Os outros quatro filhos do casal permanecem acolhidos por determinação judicial e passam por avaliações médicas e psicológicas.
A investigação também deverá verificar a atuação da rede de proteção de Viamão e eventuais antecedentes do pai em outros locais. O Ministério Público do Rio Grande do Sul solicitou cooperação internacional para levantar informações. A defesa da mãe informou que ela está colaborando com as autoridades, enquanto a reportagem do Correio do Povo ainda buscava manifestação da defesa do pai.
