Consumo de energéticos cresce no Brasil e acende alerta para excesso de cafeína
Bebidas já estão presentes em 38% dos lares brasileiros, enquanto especialistas reforçam cuidados com o consumo excessivo, principalmente entre jovens
O consumo de bebidas energéticas avançou no Brasil nos últimos anos e passou a chamar atenção também pela presença entre consumidores mais jovens. Dados da Kantar mostram que a categoria chegou a 38% dos domicílios brasileiros nos 12 meses encerrados em setembro de 2024. Fora de casa, os energéticos alcançaram 22% dos brasileiros.
O levantamento aponta ainda que cerca de 9 milhões de novos consumidores passaram a comprar energéticos fora do lar no período analisado. Entre os destaques estão consumidores das classes C/DE com até 29 anos, que representam 40% do público da categoria fora de casa.
Pesquisa anterior da própria Kantar também havia identificado crescimento das ocasiões de compartilhamento da bebida entre pessoas de 18 a 29 anos.
Apesar da popularidade, especialistas recomendam atenção principalmente à quantidade de cafeína ingerida. Palpitações, aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, ansiedade e dificuldade para dormir estão entre os possíveis efeitos associados ao consumo excessivo.
A reação à cafeína pode variar conforme fatores como idade, peso, condições de saúde, medicamentos utilizados e sensibilidade individual.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabelece regras específicas para esse tipo de produto. Os chamados compostos líquidos prontos para consumo podem conter, no máximo, 35 miligramas de cafeína e 400 miligramas de taurina a cada 100 mililitros.
Os rótulos também devem informar as quantidades dessas substâncias e apresentar advertências destinadas a grupos considerados mais sensíveis.
A preocupação é maior quando o consumo envolve crianças e adolescentes. Em abril, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou uma atualização sobre o consumo de cafeína nessa faixa etária, destacando que a substância está presente em diferentes produtos, como refrigerantes, chocolates, chás, cafés e energéticos.
A entidade já havia alertado que bebidas energéticas, por conterem substâncias estimulantes, não são consideradas apropriadas para crianças e adolescentes.
Outro ponto de atenção é a mistura de energéticos com bebidas alcoólicas. A cafeína não neutraliza nem reduz os efeitos do álcool no organismo. Ela pode aumentar a sensação de alerta e fazer com que a pessoa perceba menos alguns sinais de embriaguez, favorecendo maior ingestão de álcool e aumentando riscos de acidentes e outros comportamentos perigosos.
A própria regulamentação brasileira exige que os rótulos dos energéticos informem que o consumo combinado com bebidas alcoólicas não é recomendado.
Para adultos saudáveis, a FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, considera que até 400 miligramas de cafeína por dia é uma quantidade que, para a maioria das pessoas, não costuma estar associada a efeitos negativos. Esse valor, no entanto, não deve ser interpretado como meta de consumo e considera todas as fontes de cafeína ingeridas ao longo do dia.
Café, chimarrão, chás, refrigerantes, energéticos, chocolates e alguns suplementos podem contribuir para o total diário. Gestantes, pessoas com doenças cardiovasculares, usuários de determinados medicamentos e indivíduos mais sensíveis à cafeína devem buscar orientação profissional sobre limites adequados.
Diante do crescimento do consumo, a recomendação é observar o rótulo, verificar a quantidade de cafeína por porção e evitar excessos ou a combinação com álcool, especialmente entre os grupos mais vulneráveis.
Fonte: Kantar, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e FDA
