O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apresentem esclarecimentos em até cinco dias úteis. A medida foi tomada após a repercussão de um relatório da PF relacionado às investigações sobre o Banco Master e que menciona Moraes. O documento foi registrado no STF como uma petição, e Fachin pretende reunir mais informações antes de decidir se o assunto deve ser analisado pelo plenário.

Entre os pontos que o presidente da Corte quer esclarecer estão a possibilidade de acesso indevido a informações sigilosas durante as investigações e os critérios que levaram à inclusão de determinados nomes no material produzido pela Polícia Federal. Fachin também citou dúvidas surgidas após manifestação da Procuradoria-Geral da República, que recomendou o arquivamento do relatório e considerou inválidas as provas. Mendonça, relator das apurações envolvendo suspeitas de fraudes no Banco Master, havia solicitado que os indícios relacionados a Moraes fossem discutidos pelos demais ministros do Supremo.

A decisão foi divulgada em meio ao aumento da tensão entre integrantes da Corte. Moraes determinou a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news, atribuindo ao colega suspeitas de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Segundo Moraes, Mendonça teria atuado por razões pessoais e políticas ao supostamente direcionar diligências da PF contra ele, acusação que ainda será objeto de apuração. Após receber as manifestações solicitadas, Fachin deverá decidir se leva a controvérsia para deliberação do plenário do STF.