Produtores de pêssego da região de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, estimam que as perdas na próxima safra já estejam próximas de 50% após uma sequência de eventos climáticos que atingiu os pomares nas últimas semanas.

A estimativa é da Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP). Conforme o presidente da entidade, Adriano Bosenbecker, os prejuízos continuam sendo avaliados e podem aumentar à medida que os efeitos dos temporais aparecem nos frutos que permaneceram nas plantas.

O levantamento ainda é preliminar e não representa um balanço definitivo da Emater. No fim de agosto, a estimativa inicial da associação indicava quebra de aproximadamente 40% da safra. Naquele momento, já havia propriedades com perdas muito superiores e relatos de pomares praticamente destruídos.

Granizo atingiu pomares em fase decisiva

Os danos foram provocados por uma combinação de granizo, ventos fortes, excesso de chuva, elevada umidade e poucos períodos de sol.

As condições ocorreram justamente em uma fase fundamental do ciclo do pessegueiro, quando as plantas deixam a floração e avançam para a formação e o crescimento dos frutos.

O granizo derrubou flores, brotações e pequenos pêssegos. Parte dos frutos que permaneceu nas árvores sofreu ferimentos provocados pelas pedras de gelo. Nos dias seguintes, alguns começaram a apodrecer e cair, ampliando as perdas inicialmente observadas.

Em algumas propriedades, os danos foram muito superiores à média regional. Há produtores estimando perdas entre 70% e 80%, enquanto levantamentos realizados ainda em agosto apontaram casos pontuais de perda praticamente total.

Entre as áreas que registraram forte impacto estão localidades como Colônia São Manuel, Santa Áurea, Grupelli e Vila Nova, além de propriedades na região de Cerrito.

Sequência de temporais atingiu Pelotas

Pelotas enfrentou sucessivos episódios de chuva intensa e granizo durante agosto.

Na madrugada de segunda-feira, 17 de agosto, um temporal atingiu o município após um período de chuva intensa. Até o meio-dia, haviam sido registrados 111,4 milímetros de precipitação, além de rajadas de vento de 62 km/h, segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Pelotas com base em dados do Sanep e da Defesa Civil.

Poucos dias depois, entre a noite de quinta-feira, 27 de agosto, e a manhã de sexta-feira, 28 de agosto, outro forte temporal provocou queda de granizo em diferentes pontos do município. O acumulado chegou a 95 milímetros em 24 horas, conforme o pluviômetro do Departamento de Drenagem Urbana do Sanep.

A sequência de chuva também dificultou o manejo das propriedades e reduziu os períodos de insolação necessários ao desenvolvimento adequado dos frutos.

Safra pode ser uma das menores em até 15 anos

A dimensão dos prejuízos preocupa toda a cadeia produtiva. Segundo a APPRP, diante dos relatos recebidos até o momento, a safra poderá ser a menor registrada na região de Pelotas nos últimos 10 a 15 anos.

Além da perda direta dos frutos, os produtores precisam realizar o manejo das árvores danificadas. Nas áreas mais atingidas, o trabalho está direcionado à retirada de frutos comprometidos, à prevenção de doenças e à recuperação das plantas, para que os pessegueiros tenham condições de produzir novamente na próxima temporada.

O impacto econômico também pode atingir trabalhadores safristas, indústrias e outras atividades ligadas à cadeia produtiva do pêssego.

Pelotas é um dos principais polos produtores de pêssego para processamento industrial do Brasil. Dados municipais apontam cerca de 3 mil hectares de pomares e mais de 600 produtores, com grande parte da produção destinada à indústria de conservas, sucos e derivados.

A Emater e entidades representativas seguem acompanhando os pomares, e a dimensão definitiva da quebra deverá ficar mais clara com o avanço do ciclo da cultura e a consolidação dos levantamentos de campo.

Fonte: Associação de Produtores de Pêssego da Região de Pelotas (APPRP), Prefeitura de Pelotas, Sanep, Defesa Civil e Emater