A União Europeia suspenderá, a partir desta quinta-feira, 3 de setembro, as importações de diversos produtos de origem animal provenientes do Brasil, incluindo carne bovina, carne de aves, ovos e mel. A medida valerá nos 27 países que integram o bloco europeu.

A decisão está relacionada às novas exigências da União Europeia para o controle do uso de medicamentos antimicrobianos na produção animal. Segundo a Comissão Europeia, o Brasil ainda não apresentou garantias consideradas suficientes de que as regras são cumpridas durante toda a cadeia produtiva dos animais destinados ao mercado europeu.

A legislação europeia proíbe o uso de antimicrobianos com a finalidade de promover o crescimento dos animais ou aumentar a produtividade. Também impede o emprego, na produção destinada ao bloco, de determinados antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções em seres humanos.

A restrição, portanto, não significa que as autoridades europeias tenham identificado contaminação generalizada na carne brasileira. O problema apontado pela União Europeia está relacionado à comprovação e à certificação de que os sistemas brasileiros atendem integralmente às novas exigências.

A decisão já havia sido formalizada pela Comissão Europeia em junho. O regulamento determina que as novas regras sejam aplicadas a partir de 3 de setembro de 2026 e registra que o bloco não recebeu, dentro do prazo, informações consideradas suficientes para manter as autorizações brasileiras em determinadas categorias.

Além de bovinos e aves, o documento oficial europeu retira autorizações relacionadas a equinos, produtos de aquicultura, mel e tripas. Informações divulgadas pela Comissão Europeia nesta semana também apontam que ovos estão entre os produtos afetados pela suspensão.

Brasil e União Europeia seguem negociando

As autoridades brasileiras e europeias continuam discutindo tecnicamente o assunto. Em julho, o Ministério da Agricultura e Pecuária informou que havia encaminhado documentação à União Europeia e destacou que o Brasil não pediu flexibilização das exigências, mas trabalha para demonstrar o cumprimento integral das normas.

A Comissão Europeia afirma que as importações poderão ser restabelecidas assim que o Brasil comprovar a adequação às exigências.

Para os setores de aves e mel, uma auditoria está em andamento e deverá ser concluída na sexta-feira, 4 de setembro. Caso o resultado seja positivo e receba a aprovação dos países integrantes da União Europeia, as exportações desses produtos poderão voltar a ser autorizadas nas próximas semanas.

No caso da carne bovina, a retomada poderá levar mais tempo. A União Europeia exige garantias de que os animais que deram origem aos produtos exportados não receberam os antimicrobianos proibidos durante todo o ciclo de produção. Como o ciclo dos bovinos é mais longo, a comprovação pode exigir um período maior.

Mercado europeu movimentou centenas de milhões de euros

O impacto econômico é considerado relevante. Em 2025, o Brasil foi o segundo maior fornecedor de carne bovina para a União Europeia, com mais de 92 mil toneladas exportadas, movimentando mais de 713 milhões de euros, o equivalente a aproximadamente R$ 4,3 bilhões.

Considerando diferentes produtos de origem animal atingidos pela decisão, dados do Agrostat, sistema do Ministério da Agricultura, indicam que a União Europeia recebeu cerca de 368 mil toneladas de produtos brasileiros em 2025, avaliados em aproximadamente US$ 1,8 bilhão.

A duração da suspensão dependerá da evolução das negociações e da comprovação, pelo governo brasileiro, de que os sistemas de produção e fiscalização estão de acordo com as normas europeias sobre antimicrobianos.

Fontes: Comissão Europeia, Jornal Oficial da União Europeia, Ministério da Agricultura e Pecuária, AFP, Agência Brasil e Agrostat.