O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi sorteado relator de uma ação apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva que solicita a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas dos candidatos à Presidência da República. O pedido, protocolado nesta terça-feira (20), prevê que Lula autorize a abertura dos próprios sigilos, desde que seu adversário no segundo turno, Flávio Bolsonaro (PL), também concorde com a medida.

A iniciativa surgiu após um desafio lançado por Lula durante o debate promovido pela Band, no último domingo (18). Na ação encaminhada à Justiça Eleitoral, o presidente defende que os dados sejam disponibilizados publicamente antes da votação do segundo turno, marcada para domingo (25). A petição solicita que a divulgação ocorra até esta quarta-feira (21), com o argumento de que os eleitores precisam ter acesso às informações para avaliar os candidatos antes de decidir o voto.

O pedido também pretende estender a abertura dos sigilos a familiares, sócios e empresas vinculadas aos dois presidenciáveis. Entre os nomes abrangidos está Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que é alvo de investigações da Polícia Federal. A proposta inclui ainda pessoas jurídicas nas quais os candidatos sejam sócios ou administradores, além de empresas em que tenham responsabilidade financeira ou acesso autorizado a contas bancárias.

A ação ocorre em meio a investigações que envolvem Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz, relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro. Entre os elementos apurados está uma conta vinculada à empresa Alcazar Holding, pertencente ao advogado, na qual Flávio teria sido mencionado como usuário com acesso administrativo. Com André Mendonça designado para a relatoria, caberá ao TSE analisar o pedido apresentado por Lula, que busca tornar públicas as informações antes da conclusão da disputa presidencial.