“Continuamos nos surpreendendo com a maldade humana”, diz delegado sobre investigação de abusos contra adolescentes em Veranópolis
Em coletiva, delegado Tiago Baldin revelou detalhes sobre a atuação de falso treinador de voleibol, suspeito de cometer crimes sexuais contra alunos de 14 a 17 anos
A Polícia Civil de Veranópolis apresentou, na manhã desta quarta-feira, 21 de outubro, novos detalhes sobre a investigação que resultou na prisão preventiva de um homem de 29 anos, proprietário de uma escola de voleibol no município. Durante entrevista coletiva, o delegado Tiago Baldin revelou informações sobre os possíveis abusos cometidos contra adolescentes de 14 a 17 anos, incluindo gravações de menores em situações de nudez, fornecimento de bebidas alcoólicas, falsos tratamentos fisioterápicos e monitoramento de estudantes em um alojamento. O suspeito foi preso na terça-feira, 20 de outubro.
Segundo o delegado, a investigação começou após o pai de um adolescente procurar a Polícia Civil em Rio Grande para denunciar um suposto abuso sexual cometido pelo treinador. A ocorrência foi encaminhada à Delegacia de Veranópolis, que instaurou um inquérito e solicitou à Justiça mandados de busca e apreensão na residência do investigado e na escola de voleibol. A análise de dispositivos eletrônicos e arquivos armazenados na nuvem revelou, conforme a polícia, um conjunto de imagens e vídeos envolvendo adolescentes em situações de vulnerabilidade. “Mesmo tendo alguma caminhada dentro da Polícia Civil, ainda nós continuamos nos surpreendendo com a maldade humana. O que nós descobrimos é de uma maldade ímpar”, declarou Baldin.
As investigações apontam que o homem, natural de Vila Flores, se apresentava como profissional de educação física e da área da saúde, embora não possuísse formação ou habilitação para exercer essas atividades. Durante a análise dos equipamentos, os policiais encontraram pesquisas sobre a compra de diplomas e a realização de procedimentos de liberação pélvica. Conforme a Polícia Civil, o suspeito utilizava a justificativa de tratamentos destinados à melhoria do desempenho esportivo para convidar adolescentes ao seu apartamento, onde teriam ocorrido abusos sexuais disfarçados de procedimentos fisioterápicos. A investigação também identificou confraternizações nas quais o homem teria fornecido bebidas alcoólicas aos alunos e produzido gravações de conteúdo íntimo.
Outro aspecto considerado grave pela polícia envolve um alojamento mantido pelo investigado em Veranópolis, onde residiam adolescentes de outras cidades, como Erechim, Passo Fundo, Rio Grande e Pelotas. Segundo Baldin, os estudantes permaneciam longe dos familiares e eram acompanhados por câmeras de videomonitoramento às quais o suspeito possuía acesso exclusivo, permitindo a vigilância durante 24 horas. A investigação também identificou um episódio ocorrido durante uma competição em Minas Gerais, quando o homem teria contratado uma profissional do sexo e gravado situações envolvendo os adolescentes. Essa parte da investigação foi encaminhada à Polícia Civil mineira, por envolver fatos ocorridos naquele estado.
A prisão preventiva foi cumprida na própria escola de voleibol, onde o investigado estava sozinho e organizava uma viagem para uma competição em Florianópolis. A abordagem ocorreu sem resistência e foi acompanhada pelo advogado do suspeito. Entre os crimes investigados estão violação sexual mediante fraude, armazenamento de material pornográfico envolvendo adolescentes, corrupção de menores, fornecimento de bebidas alcoólicas a menores e exercício ilegal de profissão. O Conselho Tutelar foi acionado para auxiliar no retorno dos estudantes alojados às famílias, enquanto a Polícia Civil pretende consultar a Federação Gaúcha de Voleibol sobre as autorizações de funcionamento e de viagens da escola.
A investigação permanece em andamento, e novas vítimas poderão ser identificadas a partir da análise do material apreendido e da coleta de depoimentos. Durante a coletiva, o delegado Tiago Baldin orientou pais e responsáveis a procurarem a polícia diante de qualquer suspeita de abuso, mesmo que envolva mensagens ou convites considerados inadequados. “Se há alguma suspeita de que seu filho tenha sido alvo de qualquer tipo de abuso, nem que seja uma mensagem, um convite, há sim a necessidade que eles nos procurem”, reforçou. Famílias de outros municípios também podem registrar denúncias nas delegacias de suas cidades, para posterior encaminhamento à Polícia Civil de Veranópolis.
