A Polícia Federal encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um novo inquérito envolvendo o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), para investigar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas à sua proximidade com o advogado Willer Tomaz. O procedimento chegou à Corte na última semana e, após distribuição por sorteio, ficou sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A investigação foi divulgada neste domingo (18) e ganhou repercussão nesta segunda-feira (19).

As apurações tiveram origem em uma investigação conduzida no Rio Grande do Sul sobre possíveis irregularidades envolvendo plataformas de pagamentos digitais e empresas do setor de apostas esportivas. Durante a análise de materiais obtidos pela Polícia Federal, surgiram indícios de que Willer Tomaz poderia exercer controle sobre a empresa Rede Loto, autorizada a explorar apostas esportivas no Rio de Janeiro. A partir da quebra do sigilo de dados armazenados na nuvem do celular do advogado, os investigadores identificaram registros de encontros, reuniões e outros vínculos com Flávio Bolsonaro.

Entre os elementos apontados pela investigação estão pagamentos de viagens ao senador e referências ao seu nome em uma conta bancária vinculada à Alcazar Holding, na qual ele apareceria identificado como “usuário master”. A Polícia Federal também identificou movimentações de aproximadamente R$ 130 milhões em uma das contas do advogado entre março e maio de 2025. Os investigadores consideram necessário aprofundar a análise para esclarecer a origem e o destino dos recursos. Esses elementos são objeto de apuração e não representam comprovação de envolvimento do parlamentar em atividades criminosas.

Procurada inicialmente pela imprensa, a defesa de Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre os detalhes da investigação. Já os representantes de Willer Tomaz contestaram as suspeitas, negaram a existência de movimentações financeiras irregulares e questionaram a divulgação do caso durante o período eleitoral. A defesa também afirmou que a Rede Loto não chegou a operar como plataforma de apostas e classificou as acusações como infundadas. O encaminhamento do inquérito ao STF ocorre em razão do foro por prerrogativa de função do senador, enquanto as autoridades buscam esclarecer os fatos investigados.