Operação contra agiotagem em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa resulta em cinco prisões
Ação do Ministério Público nas duas cidades da Serra Gaúcha investiga esquema de empréstimos abusivos, ameaças e extorsão que movimentou R$ 32,3 milhões
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou nesta sexta-feira, 9 de outubro, a Operação Multiplicação, em Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha. A ação resultou em cinco prisões e busca desarticular um esquema de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro que teria movimentado aproximadamente R$ 32,3 milhões.
A operação teve como alvo oito investigados com supostas ligações a uma facção criminosa. Foram realizadas três prisões preventivas e duas prisões em flagrante por posse irregular de arma de fogo. As equipes cumpriram mandados em 13 locais nos municípios de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, apreendendo armas, munições, documentos, celulares e equipamentos eletrônicos.
Além das prisões, a Justiça determinou a indisponibilidade de três imóveis e sete veículos vinculados aos investigados. Os materiais recolhidos deverão auxiliar na identificação de novas vítimas e no aprofundamento das investigações.
Empréstimos abusivos e ameaças contra vítimas
Conforme o Ministério Público, o grupo oferecia empréstimos com juros elevados e posteriormente utilizava ameaças e intimidações para exigir novos pagamentos. Mesmo após a quitação dos valores inicialmente acordados, as cobranças continuavam, ampliando o endividamento das vítimas.
Em um dos casos investigados, uma pessoa contraiu um empréstimo de R$ 50 mil, realizou diversos pagamentos e chegou a entregar uma caminhonete como garantia. Apesar disso, continuou sendo cobrada pelos suspeitos.
Outro episódio identificado durante as investigações envolve o incêndio criminoso da residência de uma vítima, utilizado como forma de ameaça durante a cobrança de uma dívida. Segundo os investigadores, a ação também teria servido para intimidar outros devedores.
Movimentação financeira milionária
As apurações apontam que os investigados utilizavam contas bancárias de pessoas físicas, empresas e terceiros para movimentar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro. A análise financeira identificou transações incompatíveis com a renda formal de parte dos envolvidos, totalizando aproximadamente R$ 32,3 milhões.
Os crimes investigados ocorreram entre janeiro de 2022 e novembro de 2025. Os suspeitos poderão responder por extorsão, organização criminosa, usura e lavagem de dinheiro.
A Operação Multiplicação é um desdobramento da Operação Contas Abertas, que investigou a estrutura financeira da mesma facção criminosa.
Coordenada pelo promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, do 5º Núcleo Regional do Gaeco – Serra, a ofensiva também contou com os promotores Diego Pessi e João Fábio Munhoz Manzano, além do apoio do 4º Batalhão de Choque da Brigada Militar.
O Ministério Público informou que as investigações continuam para identificar outras possíveis vítimas, esclarecer a origem dos recursos e localizar patrimônio relacionado às atividades criminosas.
Fonte: Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS).
