Operação contra tráfico de drogas comandado de dentro de presídios prende 11 pessoas no RS
Polícia Civil cumpriu 36 mandados de busca e apreensão e 11 ordens de prisão preventiva em seis municípios e cinco estabelecimentos prisionais do Estado
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã de quinta-feira, 15 de outubro, a Operação Cadeia de Comando, destinada a combater uma organização criminosa suspeita de coordenar o tráfico de drogas de dentro de estabelecimentos prisionais. A ofensiva, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) de Viamão, contou com o apoio da Polícia Penal e resultou na prisão de 11 pessoas e na apreensão de aproximadamente 800 gramas de maconha.
Durante a operação, os policiais cumpriram 36 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão preventiva nos municípios de Alvorada, Viamão, Canoas, Gravataí, Agudo e Balneário Pinhal. As diligências também alcançaram cinco unidades do sistema penitenciário gaúcho: a Penitenciária Estadual de Porto Alegre, a Cadeia Pública de Porto Alegre, a Penitenciária Estadual de Charqueadas III, a Penitenciária Estadual do Jacuí e a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.
De acordo com o delegado Alexandre Luiz Fleck, titular da Draco de Viamão, as investigações começaram em fevereiro de 2026, quando a equipe passou a monitorar um suspeito ligado a um grupo criminoso com atuação concentrada em Alvorada, mas que também mantinha atividades em outros municípios da Região Metropolitana. O trabalho policial identificou indícios de envolvimento da organização com tráfico de drogas, roubos, homicídios e tráfico de armas.
Um dos principais pontos identificados pelos investigadores foi a atuação de integrantes que, mesmo presos, continuavam coordenando atividades criminosas fora dos estabelecimentos prisionais. Conforme a Polícia Civil, esses indivíduos utilizavam aplicativos de mensagens para transmitir ordens a outros membros do grupo, determinando o transporte e a entrega de entorpecentes, a movimentação de armas de fogo, coletes balísticos e veículos destinados à prática de crimes.
As investigações também apontaram que a organização utilizava agressões e torturas como mecanismos de cobrança de dívidas relacionadas às atividades ilícitas. Embora o grupo tivesse forte presença na Região Metropolitana de Porto Alegre, foram identificadas ligações com municípios do interior do Rio Grande do Sul e do Litoral Norte, demonstrando a abrangência da estrutura investigada.
O delegado Alexandre Luiz Fleck destacou a preocupação com a continuidade das atividades criminosas a partir do sistema prisional. Segundo ele, mesmo com os esforços da Polícia Penal, integrantes de organizações criminosas conseguem manter funções de liderança e determinar ações executadas por pessoas que estão em liberdade. O responsável pela investigação defendeu o aprimoramento dos mecanismos legais e operacionais para impedir esse tipo de atuação.
A Operação Cadeia de Comando mobilizou mais de 170 policiais civis, além de equipes da Polícia Penal, em uma ação simultânea em diferentes pontos do Estado. O trabalho teve como objetivo atingir a estrutura de comando da organização criminosa e interromper a comunicação entre lideranças presas e integrantes responsáveis pela execução das atividades ilegais.
Fonte: Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
