Polícia Civil deflagra operação contra grupo que exigia R$ 10 mil para não divulgar fotos íntimas de vítima no RS
Operação Sombra Digital cumpre nove mandados de busca em Porto Alegre e investiga esquema de extorsão pelo WhatsApp que seria comandado de dentro de presídio
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 16 de outubro, a Operação Sombra Digital, com o objetivo de desarticular um grupo criminoso investigado por extorsão mediante ameaças de divulgação de imagens íntimas e conversas privadas. A ação, coordenada pela Delegacia de Polícia de Investigações Cibernéticas Especiais (Dicesp), vinculada ao Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc), envolve nove mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, incluindo uma cela da Cadeia Pública da Capital.
As diligências foram realizadas nos bairros Costa e Silva, Mário Quintana, Vila Jardim e Vila João Pessoa, além do estabelecimento prisional. Conforme a investigação, o esquema utilizava diferentes números de telefone, aparelhos celulares compartilhados e chaves Pix registradas em nome de terceiros para dificultar a identificação dos envolvidos e pressionar a vítima a realizar pagamentos.
O caso começou a ser investigado após uma pessoa registrar ocorrência policial relatando que, a partir de 4 de agosto de 2026, passou a receber mensagens pelo WhatsApp exigindo o pagamento de R$ 10 mil. Os autores ameaçavam divulgar imagens íntimas e conversas particulares para familiares e pessoas do ambiente profissional da vítima caso o dinheiro não fosse transferido.
Segundo a Polícia Civil, os criminosos utilizavam o recurso de visualização única do WhatsApp para encaminhar os conteúdos, dificultando o armazenamento das mensagens e a preservação de provas. No dia seguinte às primeiras ameaças, uma nova mensagem, enviada de outro número telefônico, repetiu a exigência financeira e reforçou a possibilidade de exposição do material privado.
Para aumentar a intimidação, os suspeitos também encaminharam informações pessoais da vítima e de seus familiares, incluindo endereços residenciais e locais de trabalho. A estratégia, segundo os investigadores, buscava demonstrar que o grupo tinha acesso a dados privados e ampliar a pressão psicológica para conseguir o pagamento exigido.
A partir da análise de informações telefônicas, cadastrais e financeiras, os policiais identificaram indícios de que o esquema era coordenado por um homem que já estava preso na Cadeia Pública de Porto Alegre. Conforme a investigação, ele contaria com o auxílio de familiares e de uma estrutura criminosa que atuava fora do sistema penitenciário.
Com base nos elementos reunidos, a Justiça autorizou buscas em endereços relacionados a oito investigados, incluindo a cela do suspeito apontado como articulador da atividade criminosa. Entre os materiais procurados estão celulares, chips telefônicos, documentos com informações bancárias, registros de chaves Pix, comprovantes de transferências e outros objetos que possam contribuir para esclarecer o funcionamento do esquema.
O diretor operacional do Dercc, delegado Filipe Borges Bringhenti, destacou que o uso de ferramentas digitais e tentativas de ocultar a identidade não impedem o trabalho investigativo. Segundo ele, a Polícia Civil dispõe de recursos tecnológicos para rastrear comunicações, identificar movimentações financeiras e localizar suspeitos que utilizam a internet para cometer crimes.
A Operação Sombra Digital busca identificar todos os participantes do esquema, reunir provas sobre a atuação do grupo e esclarecer a participação de cada investigado. As investigações continuam, e a Polícia Civil não informou, no comunicado inicial, a realização de prisões durante o cumprimento dos mandados.
Fonte: Polícia Civil do Rio Grande do Sul.
