Administração municipal tenta suprir necessidades mais urgentes; segunda-feira acontecerá nova reunião para avaliar a situação
Nova Prata – O cenário no interior do município é preocupante: açudes secando, peixes morrendo, animais com pouca alimentação, reservatórios vazios, perdas na cultura milho chegam quase ao total da área cultivada e na soja, caso não chova nos próximos dias, também corre o risco de perda total. O forte calor agrava ainda mais a situação do gado leiteiro que chega a consumir 1,5 mil litros de água por dia.

Na quinta-feira, 09, visitamos as comunidades de São Luiz, Oitaveta e Linha Sétima. Em diferentes proporções, todos os agricultores contabilizam as perdas. Na propriedade de Ivo Roque Prescendo, o nível da água do açude baixou tanto que os peixes morreram. A perda foi de mais de 200 quilos. A plantação de milho em seis hectares não recupera, mesmo se chover nos próximos dias; a de soja ainda tem alguma chance, mas não com a mesma produtividade.

Para Marilda Rodrigues, a situação é ainda pior: no pequeno reservatório falta água há cinco dias. A situação foi amenizada pela água levada por servidores municipais, ação que foi repetida em poucos dias.

Zélia Cappelaro Minozzo, que reside na comunidade São Luiz há 40 anos, diz que há mais de três décadas não via uma estiagem nesta proporção. A falta da chuva provoca prejuízos no cultivo do milho, da soja e das pastagens.

Nos oito hectares de milho cultivados por Jones Stella, a perda chega a 100%. Estando em fase de enchimentos dos grãos, não tem mais solução.

Alexandre Miglioretto analisa a situação dos seus seis hectares de soja: “as bases da planta estão começando a secar e, se não chover logo, a perda será quase total”.

Para César Canale, o agricultor tem que ser forte para não sucumbir ao desânimo. Ele e a família plantaram 9 hectares de milho e mais de 30 de soja e possuem 50 reses leiteiras.

– Quem tem água para o gado, pode se considerar abençoado. Nós estamos usando a silagem de 2018 e 2019 para alimentar os animais. Então, o reflexo vai acontecer mais tarde, quando deveríamos ter a alimentação estocada em 2020, nesta safra – comenta.
Canale traz uma informação alarmante: durante o mês de dezembro de 2019, choveu apenas 30% do volume considerado mínimo para a agricultura: 100 ml. Em janeiro, choveu apenas 20ml na virada do ano. Este é o momento crítico para as lavouras quando inicia o período de floração.

Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento e Bombeiros tentam suprir necessidades essenciais. Emater avalia situação e emite laudos

A administração municipal, através da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento, está trabalhando com máquinas para desassorear fontes, levando água potável a algumas famílias em situação crítica e os bombeiros voluntários de Nova Prata estão abastecendo os reservatórios centrais das comunidades.

O secretário Luiz Carlos Galvan lamenta a situação e diz estarem fazendo tudo que é possível para amenizar as perdas e que a situação vista nas comunidades visitadas é a mesma nas demais.

Já o escritório local da Emater avalia as perdas no interior, emite laudos e anexa pedido de emergência, quando necessário.
Conforme o engenheiro agrônomo, João Carlos Reginato, a Emater fez o seguinte levantamento de perdas: milho para silagem cerca de 50%; leite, 10%; feijão, 75%; milho para grãos, não há estimativa, mas acredita-se que chegue a 30% e até a 100% em algumas lavouras do cedo.

Análise

Na manhã da sexta-feira, 10, no gabinete do prefeito em exercício, Sérgio Sottili, aconteceu uma reunião para avaliar a situação que, além de Galvan e Reginato, também contou com a presença de João Guerino Rui, coordenador da Defesa Civil no município. Além da manutenção das medidas adotadas pelos órgãos competentes, foi definido que na segunda-feira, 13, outra reunião acontecerá para avaliar se existe a necessidade de decretar estado de emergência. A expectativa é de que a chuva da quinta-feira à noite, que chegou a 10ml, e a previsão de mais no final de semana atenue a gravidade das consequências da estiagem.

Texto e fotos: Sonia Reginato/C+C