O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do extinto Banco Master, realizou repasses financeiros de até R$ 2 milhões para influenciadores digitais com o objetivo de promover ataques nas redes sociais contra o Banco Central (BC). A revelação faz parte das investigações da Polícia Federal (PF), que deflagrou na quinta-feira, 9 de julho, a 10ª fase da Operação Compliance Zero. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que expediu mandados de busca e apreensão em Brasília para coletar provas digitais e impedir a destruição de evidências de uma possível organização criminosa.

De acordo com as autoridades, Vorcaro utilizou fundos obtidos por meio de fraudes no banco liquidado para financiar a campanha de desinformação, batizada internamente de “Projeto DV”. O Banco Master teve sua liquidação decretada pelo BC em novembro do ano passado, o que teria motivado a ofensiva coordenada para tentar comprometer a credibilidade da instituição monetária. A PF também apontou que influenciadores que recusaram as propostas financeiras sofreram intimidação e coação, além de identificar que jornalistas e pessoas ligadas a autoridades públicas foram ilicitamente monitorados pelo grupo com o intuito de interferir nas investigações criminais em andamento.

Um dos alvos centrais dos mandados de busca foi Thiago Miranda, proprietário da Miranda Comunicação (Agência MiThi). Mensagens interceptadas revelaram diálogos entre Miranda e Vorcaro em que planejavam obter dados privados da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, na tentativa de barrar reportagens sobre o banco; sem sucesso, os investigados cogitaram oferecer uma contratação com salário de R$ 120 mil. Em nota oficial, a defesa de Thiago Miranda negou categoricamente qualquer irregularidade, afirmando que a atuação do profissional sempre seguiu a legalidade e que a existência do inquérito não deve antecipar nenhum juízo de culpa, preservando-se o direito à presunção de inocência.