Flávio Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 13 de julho, que Jair Bolsonaro não pediu, autorizou nem sugeriu a publicação da carta lida por ele em uma transmissão nas redes sociais no último sábado. O senador sustentou que decidiu divulgar o documento por conta própria e negou ter descumprido qualquer determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Segundo Flávio, a circulação da mensagem em seu perfil não seria diferente de uma eventual divulgação feita por familiares ou veículos de comunicação.

A carta levou Moraes a suspender por 90 dias as visitas de Flávio ao ex-presidente. Na avaliação do ministro, existem sinais de que Bolsonaro sabia antecipadamente que o texto seria levado às redes, o que poderia representar violação da ordem que o impede de utilizar plataformas digitais, inclusive por intermédio de terceiros. O conteúdo também foi encaminhado ao procurador-geral Eleitoral para a apuração de uma possível propaganda eleitoral antecipada, pois apresentava Flávio como pré-candidato à Presidência e utilizava expressões interpretadas como equivalentes a um pedido de apoio.

Durante a transmissão desta segunda-feira, Flávio acusou Moraes de usar o episódio como justificativa para interferir no processo eleitoral de 2026 e declarou que atua como porta-voz do pai na preparação para as convenções partidárias previstas a partir de 20 de julho. A defesa do senador também contestou a restrição, argumentando que ele é advogado de Jair Bolsonaro e que a proibição de contato afetaria prerrogativas profissionais, além de direitos relacionados à visita de familiares e à comunicação com o mundo exterior.