Operação policial mira grupo que usou imagem de criança com câncer para aplicar golpes
Investigação aponta o uso de inteligência artificial e páginas clonadas para desviar doações destinadas ao tratamento de menina.
A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira, 14 de julho, a Operação Sophia para desarticular um grupo criminoso suspeito de criar campanhas falsas de arrecadação de fundos. Os golpistas utilizavam fotos, vídeos e a história real de uma menina de três anos, moradora de Campo Bom, no Vale do Sinos, que enfrenta um câncer infantil. A ofensiva policial abrange cinco estados — Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco —, resultando no cumprimento de 17 mandados de busca e apreensão e na prisão de 10 suspeitos até o momento, de um total de 19 ordens de prisão preventiva emitidas pela Justiça.
De acordo com as investigações, a organização criminosa possuía uma estrutura sofisticada que utilizava publicidade patrocinada nas redes sociais e páginas clonadas de plataformas de doação para enganar as vítimas. O grupo também fazia uso de ferramentas de inteligência artificial, clonagem de voz e manipulação de vídeos para dar maior credibilidade aos apelos. Os valores desviados nunca chegaram à família da criança. Apenas na campanha fraudulenta que utilizava o nome de Sophia, a polícia identificou a movimentação ilegal de R$ 294,5 mil, incluindo uma conta em Passo Fundo que recebeu R$ 31,7 mil via Pix para o núcleo financeiro da quadrilha.
O esquema começou a ser desmantelado após a mãe da menina denunciar que a imagem de sua filha estava sendo explorada em anúncios patrocinados na internet. A família esclareceu que mantém apenas um perfil oficial ativo para relatar o tratamento da criança e que não possuía qualquer ligação com as campanhas investigadas. Os presos na operação responderão por integrar organização criminosa estruturada e por estelionato, com atuação dividida desde a criação das peças publicitárias falsas até a lavagem e a destinação dos recursos financeiros obtidos de forma ilícita.
