A microrregião formada por Nova Prata, Veranópolis, Cotiporã, Fagundes Varela e Vila Flores registrou um feminicídio consumado e duas tentativas de feminicídio no primeiro semestre de 2026. Os dados constam nos indicadores de violência contra a mulher da Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul.

O único feminicídio consumado ocorreu em Nova Prata, município que também contabilizou uma tentativa de feminicídio entre janeiro e junho. A vítima foi Roseli Vanda Pires Albuquerque, ex-vereadora da cidade e Diretora Administrativa da Secretaria de Esporte e Lazer do Estado. A outra tentativa foi registrada em Veranópolis. Já Cotiporã, Fagundes Varela e Vila Flores não tiveram casos consumados ou tentados no período.

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Além dos crimes mais graves, Nova Prata e Veranópolis concentram a maior parte dos registros de violência doméstica na região. Em Nova Prata, o primeiro semestre terminou com 31 ocorrências de ameaça, 22 casos de lesão corporal e um estupro em contexto de violência contra a mulher. Em Veranópolis, foram contabilizadas 28 ameaças, 12 lesões corporais e um estupro.

Nos demais municípios, os números são menores, mas demonstram que a violência permanece presente. Cotiporã registrou quatro ameaças, uma lesão corporal e um estupro. Fagundes Varela contabilizou cinco ameaças e Vila Flores teve dois registros de ameaça e um estupro.

Estupros seguem concentrados em Nova Prata e Veranópolis

No primeiro semestre de 2026, os cinco municípios da microrregião somaram quatro registros de estupro contra mulheres. Os casos foram distribuídos entre Nova Prata, Veranópolis, Cotiporã e Vila Flores, com uma ocorrência em cada município. Fagundes Varela não registrou casos no período.

Historicamente, Nova Prata e Veranópolis concentram o maior volume de registros. Desde 2020, Nova Prata acumula 31 casos de estupro, enquanto Veranópolis contabiliza 24 ocorrências. No mesmo período, Cotiporã registrou quatro casos, Vila Flores três e Fagundes Varela um.

Na comparação com os anos anteriores, Nova Prata e Veranópolis apresentaram redução nos registros em 2026. Nova Prata passou de três casos em 2025 para um no primeiro semestre deste ano, enquanto Veranópolis repetiu um registro até junho, após contabilizar quatro ocorrências em todo o ano passado.

Histórico da região

Desde 2020, os cinco municípios somam quatro feminicídios consumados:

  • 2022: um caso em Veranópolis;
  • 2023: um caso em Cotiporã e um em Nova Prata;
  • 2025: um caso em Fagundes Varela;
  • 2026: um caso em Nova Prata (até junho).

No mesmo período, as tentativas de feminicídio se concentraram principalmente em Nova Prata. O município registrou uma tentativa em 2022, duas em 2023, duas em 2024, duas em 2025 e mais uma no primeiro semestre de 2026. Veranópolis voltou a registrar uma tentativa neste ano, repetindo o cenário observado em 2022.

Estado

Em todo o Rio Grande do Sul, o primeiro semestre de 2026 terminou com 41 feminicídios consumados e 122 tentativas de feminicídio, números superiores aos registrados no mesmo período de 2025, quando o Estado contabilizou 36 feminicídios. A alta interrompe a tendência de queda observada entre 2022 e 2024 e recoloca o tema entre os principais desafios da segurança pública gaúcha.

O que caracteriza o feminicídio

O feminicídio é o assassinato de uma mulher motivado por sua condição de gênero, geralmente no contexto de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição feminina. O crime foi incluído no Código Penal brasileiro em 2015, como uma qualificadora do homicídio. Em outubro de 2024, entrou em vigor a Lei nº 14.994, que tornou o feminicídio um crime autônomo, desvinculado da qualificadora de homicídio, aumentando a pena para 20 a 40 anos de prisão e endurecendo as punições para crimes praticados no contexto de violência contra a mulher.