A importância da doação de órgãos é frisada de forma contundente por entidades e médicos no mês de setembro, alusivo a causa. A necessidade de doação é reflexo de uma fila expressiva de pessoas que aguardam transplante no Brasil, bem como das vidas salvas pelo simples gesto de doar. Graciela Mattiello é uma das pessoas que teve uma nova oportunidade de viver pelo gesto de outra pessoa. Veranense, ela recebeu transplante de rim em 2017, e desde então vê a vida com outros olhos.

Problema hereditário

Na família de Graciela, os problemas de saúde relacionados aos rins é uma triste realidade. Após a sua mãe ter recebido um transplante em 2007, por conta de questões renais, Graci começou a manifestar problemas semelhantes, como enjoo e mal estar. Os sintomas, que iam se intensificando, a levaram para a hemodiálise, a qual permeou sua vida por oito meses.

– É horrível, traumático. A tua vida fica limitada por uma máquina – pontua.

A ansiedade e medo de não conseguir um doador era imensa. Como não havia a possibilidade de familiares doarem, ela aguardava pela boa ação de um desconhecido, a qual poderia salvar sua vida.

O transplante

A felicidade tomou o lugar do medo e desânimo no dia 23 de junho de 2017, o “segundo aniversário” de Graci. Nessa data, um rim estava disponível para transplante. Após passar por uma triagem, junto a outras pessoas que estavam sendo cotadas para receber o órgão, ela foi considerada apta e entrou na sala de cirurgia da Santa Casa, em Porto Alegre. Um procedimento de alta complexidade, precedeu algumas horas na UTI e uma recuperação de 15 dias. Bem, mesmo que sob alto efeito de medicamentos, Graci pôde voltar para casa e continuar a escrever sua história.

A veranense conta como vê a vida hoje. Segundo ela, de forma mais leve, mais esperançosa e mais feliz. Entendendo que a vida é “um sopro”, valoriza os detalhes e a simplicidade. Para a sociedade, deixa um recado: a importância da doação de órgãos. Cada gesto individual, reforça, pode salvar muitas pessoas, que estão na árdua fila de espera.