As previsões apontam que o Rio Grande do Sul enfrentará um período de chuvas intensas nos próximos três meses, de acordo com o Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada (Copaaergs), coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). O fenômeno responsável por essa mudança no regime de chuvas é o El Niño, cuja influência já pode ser observada, mas espera-se que sua intensidade aumente durante a primavera.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Segundo a agrometeorologista Loana Cardoso, coordenadora do Copaaergs, embora a confirmação oficial do fenômeno exija cinco trimestres consecutivos de persistência, seus efeitos já são perceptíveis no estado desde abril. As previsões indicam que a probabilidade de o El Niño se manter nos próximos meses é entre 70% e 90%, tornando improvável um resfriamento repentino ou uma neutralização do Pacífico.

Além do aumento no volume de chuvas, espera-se que as temperaturas também fiquem acima da média na Metade Norte e próximas ou ligeiramente acima da média na Metade Sul durante o próximo trimestre. Essa situação foge do padrão normalmente registrado no estado durante o inverno, e Loana ressalta que os modelos meteorológicos já indicam a influência do El Niño nesse cenário.

No entanto, o impacto mais intenso do fenômeno será sentido durante a primavera, entre os meses de outubro e dezembro. A frequência das chuvas nessa época pode trazer dificuldades para as culturas de inverno, especialmente para a colheita do trigo e o manejo das doenças fúngicas. A agrometeorologista recomenda que os agricultores estejam atentos e preparados, agindo rapidamente quando as culturas estiverem maduras para a colheita.

Devido aos efeitos do El Niño variarem em cada região, as recomendações para o manejo do solo também poderão sofrer alterações. Rodrigo Dias, engenheiro agrônomo e fundador da plataforma ConnectFARM, destaca que a agricultura digital, por meio do cruzamento de informações sobre as propriedades rurais e o histórico do El Niño na agricultura brasileira, pode auxiliar no planejamento da próxima safra de verão. Com base nesses dados, é possível determinar a melhor combinação de genética, solo e manejo a ser adotada, levando em consideração as variáveis climáticas atuais e históricas.

Diante desse cenário de chuvas acima da média e temperaturas elevadas, a preparação e o planejamento adequados serão fundamentais para minimizar os impactos e garantir a eficiência das atividades agrícolas no Rio Grande do Sul nos próximos meses.

Com informações do Jornal Correio do Povo.