RS apresenta estratégias de transição energética e resiliência climática em cúpula internacional em Londres
Governador Eduardo Leite destacou ações do Proclima 2050, do Plano Rio Grande e de programas voltados à descarbonização, adaptação climática e desenvolvimento sustentável

O governo do Rio Grande do Sul apresentou, nesta terça-feira, 23 de junho, em Londres, no Reino Unido, as estratégias do Estado para a transição energética, adaptação climática e fortalecimento da resiliência. A participação ocorreu durante o painel “Segurança energética e resiliência econômica: como Estados e regiões podem proteger comunidades e construir economias limpas”, realizado na Cúpula de Ação Climática Local (LCAS), principal encontro de governos subnacionais da Semana de Ação Climática de Londres (LCAW).
Ao lado de lideranças internacionais, o governador Eduardo Leite apresentou a experiência gaúcha na construção de políticas públicas voltadas à descarbonização da economia e à preparação dos territórios para os impactos das mudanças climáticas, a partir do Plano Rio Grande.
Durante a agenda, Leite destacou que o Estado já possui uma matriz elétrica majoritariamente renovável, mas enfrenta o desafio de conduzir uma transição energética justa em regiões cuja economia ainda depende da cadeia do carvão mineral.
As iniciativas apresentadas em Londres foram lançadas oficialmente pelo governo do Estado na última semana, em Porto Alegre, e integram a estratégia do Proclima 2050, principal programa estadual voltado ao enfrentamento das mudanças climáticas. Entre elas estão o Plano de Ação Climática (Plac-RS) e o Plano de Transição Energética Justa para as Regiões Carboníferas (Ptej-RS).
Segundo o governo, os dois instrumentos orientam ações de mitigação das emissões, adaptação aos impactos climáticos e desenvolvimento sustentável de longo prazo.
“Nós não podemos pedir que essas comunidades arquem sozinhas com o custo da descarbonização. Por isso, lançamos, recentemente, o Ptej-RS, construído com ampla participação social e focado na reconversão econômica, na qualificação dos trabalhadores e na atração de novas atividades de baixo carbono”, afirmou Leite.
Durante a apresentação, o governador explicou que o plano estabelece estratégias para reduzir gradualmente a dependência do carvão mineral nas regiões da Campanha e do Baixo Jacuí, conciliando os compromissos de descarbonização com a proteção dos trabalhadores, das comunidades e das economias locais. O documento prevê ações de diversificação econômica, qualificação profissional, atração de novos investimentos e desenvolvimento de atividades alinhadas à economia de baixo carbono.
Leite também apresentou a experiência do Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024, considerada pelo Estado a maior catástrofe climática já registrada no Brasil em extensão territorial e população afetada. O governador ressaltou que a tragédia reforçou a necessidade de integrar as agendas de segurança energética, resiliência climática e desenvolvimento econômico.
“Criamos o Plano Rio Grande não apenas para reconstruir, mas para reconstruir melhor, com adaptação e preparação para os eventos extremos que já fazem parte da nossa realidade. Hoje entendemos claramente que não existe segurança energética sem infraestrutura resiliente”, destacou.
Ao abordar os aprendizados da reconstrução, o governador citou o acordo firmado com o governo federal, que permitiu a suspensão temporária do pagamento da dívida estadual. Segundo o Estado, a medida destinou cerca de US$ 3 bilhões, o equivalente a R$ 14 bilhões, para investimentos em resiliência climática e recuperação da infraestrutura.
Outro ponto apresentado foi o Plac-RS, que estabelece metas e diretrizes até 2050 para a redução das emissões de gases de efeito estufa, adaptação aos impactos das mudanças climáticas e fortalecimento da resiliência territorial. O plano foi elaborado com participação de órgãos públicos, comunidade científica, setor produtivo, municípios e organizações da sociedade civil.
Entre os instrumentos do Plac-RS está o inventário estadual de emissões, que permitirá monitorar a evolução das emissões e orientar decisões baseadas em evidências.
O governador também destacou a importância da governança para garantir a continuidade das políticas públicas além dos ciclos eleitorais. Como exemplos, citou a criação do Comitê Científico do Plano Rio Grande, formado por especialistas de diversas áreas, e do Conselho do Plano Rio Grande, com representantes de setores produtivos, academia, trabalhadores e entidades civis.
De acordo com Leite, a experiência gaúcha demonstra que o enfrentamento das mudanças climáticas exige planejamento de longo prazo, financiamento adequado e participação social permanente.
“Os compromissos climáticos são assumidos pelos países, mas é nos Estados e nas cidades que os projetos acontecem, que a infraestrutura é construída e que os impactos chegam às pessoas. Por isso, a cooperação entre diferentes níveis de governo é fundamental”, afirmou.
A participação do Rio Grande do Sul integrou a programação da Under2 Coalition, principal rede global de governos subnacionais comprometidos com metas de redução de emissões e adaptação climática. O debate reuniu representantes de Estados e regiões de diferentes continentes para discutir segurança energética, modernização de infraestrutura, atração de investimentos e preparação para eventos meteorológicos extremos.
Acompanharam o governador nas agendas o secretário extraordinário Geral de Governo, Artur Lemos, a secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura, Marjorie Kauffmann, e a secretária-adjunta da Reconstrução Gaúcha, Ângela Oliveira, que integram a delegação do Estado na LCAW.
Ao longo do dia, Leite também acompanhou a abertura oficial da LCAW, conduzida pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. Em seu discurso, Guterres defendeu uma transição acelerada e justa para fontes limpas de energia, afirmando que a crise climática e o desafio energético compartilham a mesma origem: a dependência dos combustíveis fósseis.
O secretário-geral da ONU ressaltou que Estados, províncias e municípios são os espaços onde as metas climáticas se transformam em resultados concretos para a população, por serem os governos mais próximos das pessoas.
Ainda durante a programação, o governador participou da Assembleia de Impacto do Earthshot Prize, iniciativa criada pelo príncipe William para identificar, apoiar e ampliar soluções inovadoras voltadas à proteção ambiental e ao enfrentamento dos desafios climáticos.
O encontro contou com a presença do príncipe William e reuniu organizações e iniciativas apoiadas pela premiação para apresentar soluções de restauração de ecossistemas, proteção dos oceanos, descarbonização da economia e construção de comunidades mais resilientes.
A agenda foi concluída com a participação do governador na plenária principal da LCAS, dedicada ao fortalecimento da cooperação multinível entre governos nacionais e subnacionais. O debate destacou a necessidade de ampliar a participação dos governos subnacionais nos processos decisórios nacionais e internacionais relacionados ao clima.
Fonte: Governo do Estado do Rio Grande do Sul.






