Terremotos em sequência acendem alerta, mas especialistas descartam ligação entre os abalos
Venezuela, Japão e Colômbia registraram fortes tremores em poucas semanas, enquanto cientistas explicam que os episódios fazem parte da dinâmica natural das placas tectônicas
A sucessão de terremotos registrados recentemente em diferentes partes do mundo chamou a atenção: a Venezuela teve dois fortes abalos em junho, o Japão enfrentou tremores intensos no mês seguinte e, mais recentemente, a Colômbia também foi atingida. Apesar da proximidade entre alguns desses episódios no calendário, especialistas afirmam que não há evidências de que eles estejam conectados. Segundo o sismólogo da USP José Alexandre Nogueira, os movimentos acontecem porque as placas tectônicas podem colidir ou deslizar umas contra as outras, liberando energia em forma de tremores.
A posição geológica de cada país ajuda a explicar as ocorrências. A Colômbia está localizada em uma área de encontro de três placas tectônicas, o que torna sua atividade sísmica naturalmente elevada. Já o terremoto ocorrido na Venezuela, embora o país esteja próximo do território colombiano, foi provocado pela interação de outras placas. Esse movimento constante faz parte da história do planeta e também está relacionado à formação de estruturas geológicas, como o Pico do Jaraguá, em São Paulo, que teria surgido a partir da colisão de blocos continentais há milhões de anos.
Os terremotos, portanto, são muito mais frequentes do que os grandes episódios divulgados internacionalmente podem sugerir. Cerca de 20 mil tremores são registrados diariamente em todo o planeta, segundo as informações apresentadas na reportagem. Até o Brasil, localizado no interior de uma placa tectônica, registra pequenos eventos sísmicos com frequência. De acordo com Nogueira, esses abalos brasileiros costumam ter baixa intensidade e, em geral, não ultrapassam magnitude 4, o que explica por que grande parte deles passa despercebida pela população.
