Mercado reduz projeções e vê Ibovespa abaixo de 160 mil pontos em 2026
Pesquisa do Bank of America aponta aumento do pessimismo entre gestores, com piora nas expectativas para Bolsa, câmbio e lucros das empresas brasileiras
O mercado financeiro reduziu de forma significativa as expectativas para o desempenho da Bolsa brasileira em 2026. Pesquisa Latam Fund Manager, realizada mensalmente pelo Bank of America (BofA), mostra que quase metade dos gestores consultados espera que o Ibovespa encerre o ano abaixo dos 160 mil pontos.
A maior parcela dos entrevistados projeta o principal índice da B3 entre 150 mil e 160 mil pontos ao fim do ano, cenário bem mais cauteloso do que o observado em julho. Na pesquisa anterior, quase 30% dos gestores esperavam que o Ibovespa terminasse 2026 entre 190 mil e 200 mil pontos, enquanto menos de 5% projetavam uma faixa entre 150 mil e 160 mil.
As expectativas para o câmbio também pioraram. A projeção predominante para o dólar passou da faixa de R$ 5,11 a R$ 5,40 para R$ 5,41 a R$ 5,70, indicando expectativa de desvalorização do real nos próximos meses.
O levantamento também mostra maior preocupação com os resultados das empresas. Cerca de 53% dos gestores esperam revisões para baixo nos lucros corporativos, contra 35% na pesquisa realizada em julho.
Em relação à taxa básica de juros, 76% dos entrevistados esperam pelo menos um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, enquanto 53% acreditam haver espaço para ao menos duas reduções. O próprio Bank of America projeta um corte de 0,25 ponto percentual, seguido de uma pausa prolongada no ciclo de flexibilização monetária.
A maior cautela também aparece nas estratégias de investimento. O nível de caixa dos gestores permaneceu em 6% em agosto, acima da média histórica de 5,5%. Já a parcela dos que pretendem aumentar a exposição a ações nos próximos seis meses caiu para 16%, o menor percentual desde outubro de 2024.
Entre os setores preferidos pelos gestores estão serviços básicos, como energia e saneamento, e o setor financeiro. Já os segmentos de consumo discricionário e consumo básico aparecem entre as menores posições relativas das carteiras.
Fonte: Jornal O Sul, com informações de O Estado de S. Paulo e Bank of America
