Caso Alice: testemunhas relatam comportamento controlador de ex-padrasto antes do crime
Investigação aponta que adolescente via o ex-padrasto como figura paterna e mantinha contato frequente com ele mesmo após a separação da mãe; polícia trata o caso como feminicídio.
A Polícia Civil apura novos detalhes sobre a morte de Alice Nitz, de 14 anos, assassinada a facadas na segunda-feira (17), em Encantado, no Rio Grande do Sul. Segundo testemunhas ouvidas durante a investigação, o ex-padrasto da adolescente teria um comportamento rígido e controlador em relação a ela, situação descrita pela delegada responsável como algo que “beirava uma violência psicológica”. Ainda assim, não havia registros anteriores de ocorrência, ameaça ou medida protetiva envolvendo o investigado e a família.
Alice perdeu o pai durante a infância e passou a considerar o ex-padrasto como uma figura paterna, já que ele mantinha relacionamento com a mãe da jovem desde quando ela tinha cerca de um ano. Mesmo após o fim da relação do casal, ocorrido aproximadamente um mês antes do crime, a adolescente continuava frequentando a residência do homem, localizada a poucas quadras de sua casa. Conforme a polícia, o próprio investigado afirmou em depoimento que houve uma discussão entre os dois e que teria “perdido a cabeça” antes do ataque. Ele confessou o crime e está preso preventivamente.
O caso segue sendo investigado como feminicídio, e a expectativa é de que o inquérito seja concluído na próxima semana. A hipótese de vicaricídio chegou a ser analisada, mas foi descartada até o momento por falta de indícios de que o crime tenha sido praticado com o objetivo de atingir ou punir a mãe da adolescente. Alice era conhecida pela participação em atividades artísticas e esportivas: declamava poesias, integrava um grupo de dança tradicionalista e jogava futsal, sendo lembrada pela comunidade escolar como uma jovem talentosa e cheia de vivacidade.
