Barroso antecipa aposentadoria do STF e nega pressão por sanções dos EUA
Ministro afirma que decisão já estava amadurecida e classifica punições americanas como injustas e baseadas em narrativa falsa
Na reta final de sua trajetória no Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso afirmou que sua aposentadoria antecipada não foi motivada pelas sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos, classificando as medidas como injustas e sustentadas por uma narrativa incorreta. Ele destacou que a decisão de deixar o STF já vinha sendo considerada há cerca de dois anos e que, embora não tenha feito um compromisso formal, havia compartilhado essa intenção com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anteriormente.
Barroso revelou que tinha uma audiência marcada com Lula para informar pessoalmente sua saída, mas o encontro foi desmarcado em razão do cenário político, impossibilitando o aviso direto. Ainda assim, reforçou que sua decisão foi tomada de forma autônoma e sem relação com fatores externos. O ministro, que participou de sua última sessão plenária nesta quinta-feira, permanecerá na Corte até a próxima semana para concluir pendências e liberar processos sob sua relatoria.
Nomeado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff, Barroso deixa o tribunal após mais de uma década de atuação. Com sua saída, caberá a Lula indicar um novo ministro para ocupar a vaga no Supremo, escolha que precisará ser aprovada pelo Senado Federal. O movimento abre espaço para um novo capítulo na composição da mais alta instância do Judiciário brasileiro.
