STF se divide após Moraes abrir investigação por conta própria sobre vazamento de dados de ministros
Decisão de Alexandre de Moraes, baseada no inquérito das fake news, gera divergência interna no Supremo Tribunal Federal; parte da Corte questiona abertura sem pedido formal da Procuradoria-Geral da República ou da Polícia Federal.

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de abrir, de ofício, uma investigação para apurar o acesso ilegal e o vazamento de dados sigilosos de integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) provocou divergências internas na Corte.
A apuração foi instaurada em janeiro, quando Moraes exercia a presidência do tribunal durante o plantão, a partir do chamado inquérito das fake news — aberto em 2019 e ainda sob sua relatoria.
Divisão interna
Uma ala do STF avalia que há uma tentativa de descredibilização dos ministros e considera que Moraes agiu dentro de suas atribuições, diante das suspeitas de acessos ilegais e vazamentos envolvendo dados de magistrados, do procurador-geral da República e de familiares. Para esse grupo, a iniciativa estaria amparada pelo inquérito das fake news, criado para apurar ameaças e disseminação de informações fraudulentas contra a Corte.
Outra ala, porém, sustenta que a investigação não poderia ter sido aberta sem provocação formal da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou representação da Polícia Federal (PF). Segundo essa avaliação, caberia ao procurador-geral encaminhar eventual pedido ao presidente do STF, atualmente o ministro Edson Fachin.
Relatório da Receita e medidas cautelares
Relatório da Receita Federal do Brasil enviado ao STF apontou a existência de um “bloco de acessos cuja análise, pelas áreas responsáveis, não identificou justificativa funcional”.
Ao solicitar a deflagração da operação e a adoção de medidas cautelares, a PGR afirmou que os múltiplos acessos ilegais podem configurar o crime de violação de sigilo funcional. O órgão também destacou que a divulgação fragmentada de informações sigilosas pode gerar suspeitas artificiais e danos institucionais.
Moraes determinou busca e apreensão, afastamento de sigilos bancário, fiscal e telemático, uso de tornozeleira eletrônica, proibição de deixar o país, recolhimento domiciliar noturno e afastamento do cargo de servidores investigados.
O caso reacende o debate sobre os limites de atuação do STF em investigações que envolvem a própria Corte e suas autoridades.
* Com informações de CNN Brasil.






