A primeira audiência de instrução sobre a morte de Brasília Costa, de 65 anos, trouxe novos elementos ao processo que investiga o chamado “crime da mala”, ocorrido em Porto Alegre em 2025. Durante a sessão conduzida pela juíza Cristiane Busatto Zardo, na 4ª Vara do Júri, oito testemunhas foram ouvidas, incluindo familiares da vítima, o proprietário da pensão onde o casal vivia e o delegado responsável pela investigação. O réu é Ricardo Jardim, de 66 anos, companheiro da vítima, que permanece preso desde setembro do ano passado.

A defesa do acusado afirmou que pretende solicitar um exame de sanidade mental, alegando que o procedimento nunca foi realizado anteriormente. O pedido se baseia no depoimento de uma psicóloga, amiga de infância de Jardim, que apresentou informações sobre o estado psíquico do réu e possíveis falhas na defesa em um processo anterior. Além disso, os advogados questionaram a existência de um vestígio de DNA pertencente a uma terceira pessoa, encontrado no local do crime, cuja origem não teria sido investigada.

O caso ganhou grande repercussão após a descoberta de partes do corpo da vítima em diferentes pontos da capital gaúcha, sendo o torso encontrado dentro de uma mala deixada em um guarda-volumes da rodoviária de Porto Alegre. O Ministério Público denunciou Ricardo Jardim por oito crimes, entre eles feminicídio, ocultação de cadáver e vilipêndio de cadáver, e avalia incluir novos elementos na acusação após análise de dados bancários da vítima. A próxima audiência, destinada à oitiva das testemunhas de defesa, está marcada para 18 de março, enquanto familiares aguardam que o processo avance para julgamento pelo júri popular.