Associações de defesa da liberdade de imprensa criticaram publicamente a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou uma operação de busca e apreensão contra o blogueiro Luís Pablo, no Maranhão. A ação da Polícia Federal, ocorrida na terça-feira, 10 de março, resultou no recolhimento de computadores e celulares do profissional. A investigação apura o suposto crime de perseguição contra o ministro Flávio Dino, após reportagens sobre o uso de veículos oficiais por seus familiares.

Em nota conjunta, a Abert, a Aner e a ANJ manifestaram preocupação com a medida, ressaltando que a atividade jornalística possui proteção constitucional ao sigilo da fonte. As entidades defendem que qualquer violação a essa garantia representa um ataque ao livre exercício do jornalismo. A defesa de Luís Pablo afirmou que aguarda acesso integral aos autos para compreender os fundamentos da decisão, reiterando que o blogueiro atua com foco em fatos de interesse público.

A investigação teve início após a PF identificar que o acusado monitorava deslocamentos da equipe de segurança de Dino para publicar críticas sobre o uso dos automóveis. O caso, que conta com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR), foi redistribuído do ministro Cristiano Zanin para Alexandre de Moraes no mês passado. Parlamentares e representantes do setor acompanham o desdobramento da ação, que reacende o debate sobre os limites da fiscalização jornalística e o direito à privacidade de autoridades.