O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio da Promotoria de Justiça de Getúlio Vargas, ofereceu denúncia contra sete pessoas por crimes cometidos em um centro terapêutico localizado na zona rural de Estação. A denúncia foi apresentada pelo promotor de Justiça João Augusto Follador.

As investigações tiveram início após a morte de um interno, registrada em janeiro deste ano. O caso levantou suspeitas e levou a Delegacia de Polícia de Getúlio Vargas a instaurar inquérito para apurar as circunstâncias do fato.

Segundo o MPRS, o caso mais grave é o de homicídio qualificado. Conforme a denúncia, a vítima foi levada a um dos quartos da instituição e agredida por vários dos denunciados, sofrendo múltiplas lesões. O homem teria sido deixado em estado de extrema debilidade e morreu pouco depois em decorrência das agressões.

Além do homicídio, o Ministério Público identificou diversos episódios de tortura contra outros internos, ocorridos em períodos distintos. As investigações apontam que pacientes eram submetidos a castigos físicos, ameaças, dopagem forçada, agressões com objetos, disparos com espingarda de pressão, privação de liberdade e outras formas de violência física e psicológica, utilizadas como punição ou forma de controle.

A denúncia também inclui um episódio de fraude processual, no qual alguns acusados teriam tentado apagar vestígios do crime, promovendo a limpeza do local e a destruição de pertences da vítima, com o objetivo de dificultar a investigação policial.

O grupo denunciado é formado por cinco homens e duas mulheres (mãe e filha). De acordo com o MPRS, a filha era responsável pela administração do centro terapêutico e pela coordenação da rotina do local. A mãe atuava como associada na condução da clínica e, segundo a denúncia, teria participado da incitação que resultou no homicídio, embora não haja comprovação de envolvimento dela nos casos de tortura ou na fraude processual.

Além de dois homens que já estavam presos, as duas mulheres denunciadas foram presas no último fim de semana. O caso segue em tramitação na Justiça.