“A vida segue”, afirma delegado após segundo homicídio em 24 horas e investigação sobre disputa entre facções em Veranópolis
Cidade registra crime no bairro Santo Antônio, autoridades apontam guerra interna por poder no tráfico, reforçam combate às notícias falsas e alertam sobre tentativas de extorsão contra comerciantes
Veranópolis vive um momento de atenção na segurança pública após o registro do segundo homicídio do ano em um intervalo de 24 horas, ocorrido na última quinta-feira no bairro Santo Antônio. O delegado Tiago Madalosso Baldin explicou que o crime é uma “consequência natural” do assassinato registrado anteriormente na Rua Ernesto Alves, indicando ligação entre os casos. A principal linha de investigação aponta para uma disputa interna por poder, conhecida como “dança das cadeiras”, dentro da facção criminosa que domina o tráfico na cidade, com possível interferência de grupos vindos de fora do município.
O crime foi caracterizado como uma execução premeditada e com alvo definido. A vítima estava em seu veículo quando foi abordada por um indivíduo a pé, possivelmente conhecido, já que não houve reação de surpresa diante da aproximação. Foram efetuados disparos com munição calibre 9 mm, e a polícia encontrou mais de 20 estojos no local, o que indica o uso de uma pistola com carregador prolongado. O veículo e as evidências recolhidas foram encaminhados para perícia técnica em Caxias do Sul.
Baldin também alertou sobre a circulação de notícias falsas que tentam gerar pânico e desinformação. Segundo ele, todas as mensagens falsas compartilhadas em grupos estão sendo monitoradas, e os responsáveis poderão ser identificados e responsabilizados. Outro ponto de atenção é o aumento de tentativas de extorsão contra comerciantes locais, nas quais criminosos utilizam dados públicos, como CNPJ e endereço, para intimidar empresários e exigir pagamentos ilegais em nome de facções. A Polícia Civil reforça que se trata de golpes e orienta que as vítimas não realizem transferências de valores e comuniquem as autoridades.
As investigações seguem em andamento com o uso de imagens do sistema de monitoramento urbano para identificar os autores dos crimes, enquanto a Prefeitura Municipal estuda ampliar a segurança com a implantação de um cercamento eletrônico. Apesar da gravidade dos fatos, as autoridades ressaltam que não existe toque de recolher nem orientação para suspensão das atividades diárias, e que a população deve manter a rotina normal. “A vida segue. É ruim o que aconteceu? Sim, mas para isso nós temos as forças de segurança para combater, reprimir e prender essas pessoas”, afirma o delegado.
