Um áudio enviado pelo policial militar de 39 anos, à sua atual esposa, revelou que sua “paciência acabou” semanas antes do desaparecimento de sua ex-mulher, Silvana de Aguiar, e dos pais dela. Na mensagem, gravada em janeiro, o suspeito chama a vítima de “megera” e relata uma discussão motivada por um desentendimento banal envolvendo o filho do ex-casal. O policial foi indiciado por feminicídio, duplo homicídio e ocultação de cadáver, em um caso que mobiliza as autoridades gaúchas desde o fim de janeiro.

A Polícia Civil descobriu que o investigado possuía arquivos em seu notebook configurados para clonagem de voz via inteligência artificial. A suspeita é que a tecnologia tenha sido utilizada para forjar comunicações, atrair as vítimas e despistar os familiares após as execuções. Embora os crimes tenham sido confirmados pela investigação, os corpos de Silvana e de seus pais ainda não foram localizados, o que levou também ao indiciamento de familiares do policial por fraude processual e associação criminosa.

O acusado está preso desde 10 de fevereiro e manteve silêncio em todos os depoimentos realizados até agora. O inquérito detalha que o comportamento do suspeito era marcado por tentativas meticulosas de encobrir os rastros dos assassinatos. O caso foi encaminhado ao Ministério Público do Rio Grande do Sul, que deve formalizar a denúncia à Justiça nos próximos dias, enquanto as buscas pelos restos mortais das vítimas permanecem ativas.