O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que Cuba estaria disposta a negociar com os Estados Unidos caso o governo de Donald Trump abra um canal de diálogo baseado em conversa, e não em exigências. A declaração foi dada em entrevista ao The Washington Post, divulgada no sábado (17). Lula disse que o Brasil mantém disposição para atuar como interlocutor em crises internacionais, mas ressaltou que qualquer mediação só é possível quando os líderes envolvidos aceitam esse caminho.

A fala ocorre em um momento de maior pressão de Washington sobre Havana, enquanto o embargo econômico dos Estados Unidos contra a ilha, em vigor há mais de seis décadas, segue sendo criticado pelo presidente brasileiro. Lula contou que, em reunião na Casa Branca no início de maio, pediu a Trump que desse “uma chance” a Cuba. Segundo ele, o republicano respondeu que não pretende invadir o país caribenho. Na entrevista, o petista também buscou mostrar que, apesar das diferenças ideológicas, pretende manter uma relação institucional com Trump, afirmando que, se conseguiu fazê-lo rir, poderia avançar em outros temas.

Ao tratar da Venezuela, Lula fez críticas a Nicolás Maduro e disse ter alertado o líder venezuelano de que eleições com observação internacional poderiam reforçar sua legitimidade em caso de vitória. Para o presidente brasileiro, Maduro ampliou as suspeitas ao rejeitar esse tipo de monitoramento. Lula também comentou a postura dos Estados Unidos sobre uma possível transição política venezuelana, mencionada pelo secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, e reforçou que o Brasil buscará preservar sua soberania nas negociações externas: “Não precisamos nos curvar a ninguém”.