A divulgação de uma carta de Jair Bolsonaro nas redes sociais levou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a suspender por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente. No vídeo publicado no sábado (11), o senador leu uma mensagem em que o pai apoiava sua pré-candidatura à Presidência e o apresentava como porta-voz. Para Moraes, a iniciativa pode ter desrespeitado a proibição de Bolsonaro utilizar plataformas digitais, inclusive por meio de terceiros, além de representar um possível desvio da finalidade do direito de visita.

A defesa de Flávio reagiu nesta segunda-feira (13), alegando que a medida compromete garantias constitucionais e legais. Os advogados destacaram que o senador, além de filho, também atua como advogado de Jair Bolsonaro, motivo pelo qual teria direito de manter comunicação com seu cliente conforme o Estatuto da Advocacia. A manifestação ainda mencionou dispositivos da Lei de Execução Penal que asseguram ao preso o recebimento de familiares e o contato com o mundo exterior. Carlos Bolsonaro também criticou a decisão nas redes sociais e afirmou que a prerrogativa profissional do irmão teria sido desconsiderada.

O despacho determinou ainda o envio dos vídeos e de cópias da decisão ao procurador-geral Eleitoral, que deverá avaliar a existência de propaganda eleitoral antecipada. Segundo Moraes, as expressões usadas na gravação podem ter sentido equivalente a um pedido explícito de voto antes do período autorizado. O ministro também apontou indícios de que Jair Bolsonaro sabia previamente que a carta seria publicada, circunstância que deverá ser esclarecida pela defesa. Na transmissão, Flávio agradeceu o apoio do pai e declarou que sua atuação como porta-voz buscaria evitar mensagens conflitantes dentro do grupo político.