A Fraternidade São Pio X voltou a confrontar diretamente o Vaticano ao realizar, nesta quarta-feira, 1º de julho de 2026, a ordenação de quatro bispos sem autorização do papa Leão XIV. A cerimônia ocorreu em Écône, na Suíça, sede do grupo, e reuniu milhares de fiéis. Foram consagrados dois franceses, um americano e um suíço, em um ato classificado pela Santa Sé como cismático e passível de excomunhão.

Antes da ordenação, Leão XIV tentou impedir a ruptura e enviou um apelo ao superior da comunidade, o padre Davide Pagliarani, pedindo que a fraternidade desistisse da cerimônia. Para o Vaticano, a nomeação de bispos sem o consentimento papal representa uma quebra grave de comunhão com a Igreja. Caso o cisma seja confirmado, sacramentos celebrados pelos novos bispos, como casamentos e confissões, podem deixar de ser reconhecidos pela Igreja Católica.

Criada em 1970 pelo bispo francês Marcel Lefebvre, a Fraternidade São Pio X se opõe a mudanças adotadas após o Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965. O grupo defende a volta de práticas tradicionais, como missas em latim e celebrações com o padre voltado de costas para os fiéis. O impasse remete a 1988, quando Lefebvre também ordenou bispos sem autorização de João Paulo II, gerando excomunhões depois suspensas por Bento XVI em 2009, sem que a situação canônica da fraternidade fosse plenamente regularizada.