Dólar fecha em alta a R$ 5,21 com juros nos EUA e pressão sobre a inflação no Brasil
Moeda norte-americana subiu nesta quarta-feira, 1º de julho, em meio à cautela do mercado com juros elevados no exterior, riscos climáticos e possível revisão da inflação no país
O dólar fechou em alta nesta quarta-feira, 1º de julho, cotado a R$ 5,209, valor arredondado para R$ 5,21. A valorização da moeda norte-americana ocorreu em meio à cautela dos investidores com o cenário externo, especialmente diante da expectativa de juros elevados por mais tempo nos Estados Unidos.
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve recentemente a taxa básica de juros do país na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano. Juros altos nos EUA tendem a atrair investidores para títulos norte-americanos, considerados mais seguros, reduzindo o fluxo de recursos para países emergentes, como o Brasil.
Além do ambiente externo, o mercado também acompanhou fatores internos e políticos, que contribuíram para um dia de maior pressão sobre o câmbio e os juros futuros. A Bolsa brasileira fechou em queda, acompanhando o movimento de cautela observado nos mercados internacionais.
No Brasil, a preocupação também está voltada para a inflação. O Ministério da Fazenda deve revisar para cima sua projeção oficial para o IPCA, diante dos impactos esperados do fenômeno El Niño e de outros fatores econômicos. A estimativa, segundo a secretária de Política Econômica, Débora Freire, deve superar o teto da meta de inflação, de 4,5%, mas ainda ficar abaixo da projeção do mercado financeiro, que está em 5,33%.
Nota técnica conjunta do Inpe, Inmet, Funceme e Censipam aponta alta probabilidade de configuração do El Niño ao longo do segundo semestre, com possibilidade de impactos marcantes nos padrões de chuva e temperatura no país. O fenômeno pode afetar setores como produção de alimentos, energia, abastecimento e transporte, pressionando custos e preços ao consumidor.
Com o dólar mais alto e a perspectiva de inflação acima do teto da meta, o cenário exige atenção. A combinação entre juros elevados no exterior, câmbio pressionado e riscos climáticos pode influenciar diretamente os preços de alimentos, combustíveis, energia e produtos importados nos próximos meses.
