Casal deu abrigo a suspeito antes de latrocínio que matou idoso em Nova Prata, diz Polícia Civil
Nelso Possamai, de 75 anos, e a esposa acolheram o homem e chegaram a oferecer uma refeição antes do ataque; suspeito teria iniciado sequência de crimes no Litoral Norte e acabou preso na BR-470
O casal vítima de um latrocínio no interior de Nova Prata havia dado abrigo ao suspeito antes do crime, segundo a Polícia Civil. Nelso Possamai, de 75 anos, morreu após ser esfaqueado, enquanto a esposa, de 44 anos, também foi ferida, mas conseguiu escapar e pedir socorro. O ataque ocorreu na noite de quarta-feira, 19 de agosto, em uma propriedade na Estrada do Campo.
Conforme a delegada Liliane Pasternak Kramm, responsável pela investigação, o homem de 33 anos havia pedido para passar a noite na propriedade e foi acolhido pelo casal, que não sabia do histórico do suspeito.
“Ele pediu para pernoitar e ficou nos galpões. Durante o dia, ele vem à casa de novo, o casal chegou a dar almoço. Como ele tinha acesso à casa, resolveu matar o senhor e roubar a Renegade”, relatou a delegada.
A investigação aponta que o suspeito teria chegado à propriedade após uma sequência de acontecimentos iniciada no Litoral Norte do Rio Grande do Sul.
Na terça-feira, 18 de agosto, na localidade de Morrinhos, em Três Cachoeiras, o homem, que havia trabalhado em uma obra na região, teria pedido uma carona ao empreiteiro para quem trabalhava. Segundo as informações apuradas, ele alegou que precisava buscar a esposa e levá-la ao hospital.
Ao chegarem em frente a uma residência, o suspeito teria atacado o empreiteiro com uma corda, deixando-o desacordado, e fugido com um Volkswagen Gol.

O homem seguiu posteriormente em direção à região de Nova Prata. O Gol foi localizado e recuperado pela Brigada Militar, mas o suspeito conseguiu fugir para uma área de mata.
Depois da fuga, ele teria chegado à propriedade de Nelso Possamai e da esposa, onde disse ter perdido o próprio veículo e pediu abrigo. O casal aceitou ajudá-lo e permitiu que ele passasse a noite em galpões afastados da residência principal.
No dia seguinte, o homem voltou a ter contato com as vítimas e chegou a almoçar com o casal. Segundo as informações da investigação, ele teria afirmado que aguardava a chegada de um familiar vindo de Erechim. Até então, as vítimas não teriam percebido nenhum comportamento que despertasse suspeitas.
No final da tarde e início da noite de quarta-feira, 19 de agosto, a situação se tornou violenta. Conforme o relato policial, a mulher estava tomando banho quando ouviu barulhos e, ao verificar o que ocorria, encontrou o marido já ferido por golpes de faca.
Ela tentou defender Nelso e também foi atingida pelo agressor. Mesmo ferida, conseguiu escapar pela janela e buscar ajuda. De acordo com a Polícia Civil, a mulher não corria risco de morrer.
Nelso Possamai, de 75 anos, não resistiu aos ferimentos. Ele era conhecido na comunidade e trabalhava como pintor.
Após o ataque, o suspeito fugiu levando o Jeep Renegade pertencente ao casal. As forças de segurança emitiram um alerta com as características do veículo.
Por volta das 21h30, a Brigada Militar interceptou o homem na BR-470, no distrito de Tuiuty, em Bento Gonçalves, quando ele seguia pela rodovia. O suspeito foi preso e o Jeep Renegade recuperado.
Com isso, os dois veículos relacionados à sequência investigada — o Volkswagen Gol e o Jeep Renegade — foram recuperados pelas forças de segurança.
Segundo a Brigada Militar, o homem possui antecedentes por crimes como roubo a pedestre, tráfico de drogas e adulteração de sinal identificador de veículo automotor, além de passagens pelo sistema prisional.
O suspeito foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Nova Prata, onde permaneceu detido. A prisão em flagrante foi homologada e a Polícia Civil solicitou a prisão preventiva para que ele permaneça preso durante o andamento das investigações.
O caso é tratado como latrocínio, roubo seguido de morte. A Polícia Civil prossegue com perícias, análise de conexões telefônicas e outras diligências para esclarecer toda a sequência de crimes, desde Três Cachoeiras até Nova Prata, além de apurar se houve participação de outras pessoas.
