Mulher que fingia ter 12 anos é condenada após viver 14 meses com família em Joinville
Justiça reconheceu crimes de estelionato e falsa identidade e manteve a prisão preventiva da acusada
Uma mulher de 38 anos que se apresentava como uma adolescente de 12 foi condenada pela Justiça em Joinville após manter a falsa identidade durante cerca de 14 meses dentro da casa de uma família. A pena foi fixada em um ano, seis meses e 10 dias de reclusão, além de quatro meses e 18 dias de detenção, com início em regime semiaberto, pelos crimes de estelionato e falsa identidade. A decisão também determinou a manutenção da prisão preventiva, impedindo que ela recorra em liberdade.
A investigação apontou que a mulher conheceu a família por meio de uma igreja no distrito de Pirabeiraba e contou uma história segundo a qual teria fugido de casa após sofrer exploração. Comovidos, os moradores decidiram acolhê-la e passaram a custear sua subsistência, incluindo tratamento para obesidade com medicamento injetável. Durante a convivência, ela evitava situações que poderiam revelar sua verdadeira idade, recusando a possibilidade de matrícula em uma escola e apresentando justificativas para não ser formalmente adotada. A farsa começou a ser desvendada depois que um parente desconfiou da situação e procurou a polícia.
Na sentença, a Justiça considerou comprovado que a acusada construiu e manteve conscientemente uma identidade fictícia para enganar as vítimas e obter benefícios materiais, além de adotar comportamentos destinados a reforçar a aparência de uma criança ou adolescente. Também foram considerados os impactos emocionais causados à família, que havia desenvolvido forte vínculo afetivo e chegou a organizar uma festa de aniversário para a suposta menina. Após a apresentação das provas reunidas pelos investigadores, a fraude foi confirmada e houve confissão durante o interrogatório. O processo tramita em segredo de Justiça, e o resultado de uma avaliação psiquiátrica realizada durante o caso não foi divulgado.
