A falta de motoristas vem se tornando um desafio cada vez mais relevante para empresas de transporte coletivo no Brasil. Um levantamento da CNT realizado em 2023 mostrou que 53,4% das empresas consultadas relatavam escassez desses profissionais, enquanto 33,3% apontavam baixa atratividade da carreira. Embora os dados não sejam de 2026, eles ajudam a dimensionar um problema que continua presente no setor, especialmente diante da saída de trabalhadores experientes e da dificuldade para atrair novos interessados.

A pressão da rotina aparece como uma das principais causas do afastamento da profissão. Trânsito intenso, cobrança por horários, escalas pouco previsíveis, responsabilidade pela segurança dos passageiros, situações de conflito e exposição à violência ajudam a aumentar o desgaste. Um estudo publicado em 2022, com 317 motoristas profissionais de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), identificou sintomas de estresse em 26,5% dos participantes e apontou que motoristas de ônibus apresentaram os piores indicadores de qualidade do sono entre os grupos analisados. Além disso, outras formas de trabalho ao volante, como os aplicativos de transporte, podem parecer mais atraentes para quem busca maior autonomia de horários.

Para reduzir a evasão e garantir a operação das linhas, empresas discutem medidas que vão além do reajuste salarial. Melhor organização das escalas, comunicação interna mais eficiente, lideranças preparadas, oportunidades de crescimento e formação de novos motoristas dentro das próprias companhias estão entre as alternativas. Cobradores, manobristas e outros funcionários podem ser capacitados para assumir a função, enquanto profissionais mais experientes podem atuar na formação das equipes. Sem renovação suficiente, a falta de mão de obra pode comprometer desde a manutenção das linhas atuais até a expansão e modernização do transporte público.