Polícia conclui que rato encontrado em bolo foi assado junto com a massa em Porto Alegre
Investigação aponta que animal pode ter caído na forma durante o preparo; duas lojas foram interditadas após fiscalização encontrar fezes, urina de roedores e alimentos vencidos
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul concluiu que o rato morto encontrado dentro de um bolo comercializado por uma unidade da Casa de Bolos, no bairro Cavalhada, em Porto Alegre, foi assado juntamente com a massa. A informação foi confirmada pela delegada Milena Simioli, da Delegacia de Polícia de Proteção aos Direitos do Consumidor (Decon), que considera improvável a possibilidade de o animal ter sido colocado intencionalmente no alimento. Conforme a investigação, as condições em que o roedor foi encontrado indicam que ele já estava na forma durante o processo de preparo. Uma das hipóteses é de que o animal estivesse escondido no forno e tenha caído sobre a massa ao tentar escapar. O caso ganhou repercussão após a denúncia de uma família que havia adquirido o produto por meio de um aplicativo de entregas.
O bolo foi comprado no final de setembro e consumido gradualmente por integrantes da família, que somente perceberam a presença do rato no terceiro dia, quando cortaram outra fatia. Até aquele momento, duas pessoas já haviam ingerido parte do alimento. Após a descoberta, ambas procuraram atendimento médico e, mediante avaliação de um infectologista, começaram a utilizar medicamentos preventivos contra a leptospirose, doença que pode ser transmitida pelo contato com a urina de roedores. Segundo a delegada, os consumidores permanecem em acompanhamento para verificar uma eventual infecção, considerando que o período de incubação da doença pode chegar a 30 dias. A ocorrência foi comunicada à Polícia Civil, que iniciou os procedimentos investigativos e acionou os órgãos responsáveis pela fiscalização sanitária.
Durante a operação realizada com apoio da Vigilância Sanitária e da 13ª Delegacia de Polícia de Porto Alegre, os agentes identificaram uma série de irregularidades em duas unidades da rede, localizadas nos bairros Cavalhada e Centro. Entre os problemas constatados estavam fezes de ratos sobre recipientes com alimentos, vestígios de urina de roedores, produtos com prazo de validade vencido, presença de fungos e estruturas enferrujadas. Diante das condições encontradas, os dois estabelecimentos foram interditados e permanecem impedidos de funcionar até que sejam realizadas as adequações exigidas e uma nova vistoria. A proprietária das unidades, Amanda Borges Lopes Schenk, de 41 anos, foi presa em flagrante na quarta-feira (14), suspeita de crime contra as relações de consumo, mas recebeu liberdade provisória após audiência de custódia na quinta-feira (15). A investigação prossegue para determinar eventuais responsabilidades de funcionários e gerentes envolvidos na operação dos estabelecimentos.
A defesa da empresária informou que conduz uma auditoria interna para esclarecer as circunstâncias do episódio, incluindo a possibilidade de sabotagem por algum funcionário insatisfeito, hipótese que ainda não foi comprovada. Os advogados também afirmaram que o estabelecimento mantém há mais de 11 anos contrato com uma empresa especializada em controle de pragas e possui registros dos serviços realizados. Já a franqueadora Casa de Bolos lamentou o ocorrido, classificou como inaceitável qualquer situação que coloque em risco a saúde dos consumidores e anunciou uma apuração para avaliar possíveis medidas contratuais. A empresa destacou que suas unidades são administradas por franqueados independentes, que devem cumprir os padrões sanitários estabelecidos pela marca. Enquanto a Polícia Civil continua ouvindo testemunhas e reunindo informações para concluir o inquérito, as duas lojas interditadas seguem fechadas, dependendo de autorização da Vigilância Sanitária para retomar o atendimento ao público.
